Os 12 Maiores Erros da Marvel

A Marvel nem sempre foi grande e nem todas as histórias da empresa são tão heroicas como as aventuras do Capitão América ou Homem-Aranha. Desde que surgiu como Timely Comics em 1939, ela criou incontáveis ​​clássicos e repetidamente deu nova vida a uma indústria conturbada… E também fez algumas coisas que provavelmente gostaria que tivéssemos esquecido. Aqui estão alguns dos maiores erros da Marvel.

Desastre de Distribuição

atlas comics

Entre a Timely Comics e a Marvel, a empresa mudou seu nome pra Atlas Comics em 1951. Foi quando os seus problemas realmente começaram. O editor Martin Goodman distribuía os quadrinhos da sua própria empresa pras bancas até 1956, quando decidiu terceirizar o serviço pra American News Company. Infelizmente pra Atlas, a American News Company colapsou pouco tempo depois – resultado de uma ação judicial acusando a empresa de monopólio.

A única opção da Atlas foi distribuir através dos seus concorrentes diretos, a National Periodical Publications, que possuía a DC Comics. A NPP não foi nada amigável com a Atlas e a limitou a apenas oito quadrinhos por mês – uma enorme queda em relação aos mais de sessenta títulos que a Atlas havia publicado anteriormente.

Stan Lee Também Errou

fin fang foom

As consequências da decisão de Martin Goodman não pararam por aí. Como os lucros mergulharam ladeira a baixo por causa da MPP, a Atlas teve que demitir quase todos os seus artistas e escritores – com apenas 10% dos trabalhos anteriores em produção, não havia trabalho pra todo mundo.

Na época, Stan Lee aprovava e pagava todas as páginas de quadrinhos publicáveis, mas o próprio Lee admitiu mais tarde em uma entrevista que ele era um péssimo juiz de qualidade. Se ele via algo que não gostava, simplesmente assumia que não entendia e pagava de qualquer maneira. Como resultado, o escritório da Atlas tinham um armário cheio de obras de arte não utilizadas que lentamente erodiram seu orçamento…

Páginas Perdidas

hulk

Antes dos quadrinhos serem vistos como itens colecionáveis, as revistas eram descartáveis. Eram fotografadas, coloridas, impressas… E então os originais eram descartados. “Não tínhamos qualquer espaço pra elas. Nós jogamos tudo fora”, disse Stan Lee. “Um garoto vinha entregar sanduíches e nós dizíamos: ‘Ei, garoto, no seu caminho de volta, pega essas páginas e jogue-as em qualquer lugar.’ Se um desses caras teve inteligência suficiente pra salvar algumas coisas, ele é um homem de muita sorte agora.”

Enquanto milhares de importantes páginas originais foram preservadas por colecionadores e são comumente leiloadas por fortunas, no início a Marvel simplesmente jogava tudo fora, não muito diferente da forma como a BBC jogava os rolos de filme do Doctor Who fora pra ter mais espaço pra guardar os rolos das novas temporadas.

Desrespeito aos Criadores

motoqueiro fantasma

Desde o início, os artistas de quadrinhos geralmente operam sob contratos com suas editoras e a Marvel não é diferente. O que isto significa, essencialmente, é que qualquer coisa criada e comprada pela Marvel pertence à Marvel pra sempre. Nestes contratos, a Marvel pode fazer o que quiser com o trabalho de alguém sem futuros compensações ou créditos ao criador.

Um dos piores exemplos de tratamento questionável da Marvel aos seus criadores é o caso de Gary Friedrich, o cocriador do anti-herói Motoqueiro Fantasma. Friedrich levou a Marvel ao tribunal pela compensação relacionada com a comercialização de seu famoso personagem, mas em 2010, ele perdeu a ação judicial. Como se isso não fosse doloroso o suficiente, a Marvel conseguiu arrancar US$ 17 mil de Friedrich no tribunal e obrigou-o a parar de vender qualquer coisa do Motoqueiro Fantasma em convenções. Mais tarde, em 2013, um juiz anulou a decisão com base na linguagem questionável dos antigos contratos da Marvel e ambas as partes se resolveram fora do tribunal.

Sem Prêmio

no-prize

Em 1964, a Marvel começou a fazer perguntas aos seus leitores, que, então, eram respondidas nos seus quadrinhos favoritos. É claro, esse trabalho não poderia vir sem recompensa, então Stan Lee começou a oferecer um luxuoso “No-Prize”, que foi um pouco confuso pros leitores… Porque era literalmente nenhum prêmio, além do reconhecimento.

Lee convidou os leitores a detectarem erros de continuidade dentro dos quadrinhos da Marvel. Os vencedores ganhariam o “No-Prize”, um envelope vazio. Ainda assim, estes confusos leitores, que ficaram decepcionados ao abrir envelopes vazios da Marvel, continuaram a exigir prêmios reais. Leitores pegavam cada cena de cada quadrinho em busca de erros, o número de cartas triplicou e, finalmente, a prática foi cancelada em 1989 pelo então proprietário da Marvel, Ron Perelman – por mais que as cartas continuassem a chegar mesmo assim. Mas era tarde demais, os nerds foram treinados pra procurar defeitos nos quadrinhos, arruinando pra sempre a vida dos roteiristas.

Royal Roy

royal roy

Por um período, a Marvel Comics também publicou a Star Comics, uma etiqueta quase exclusivamente dedicada a séries de animações como ThunderCats e A Rocha Encantada. Isso efetivamente manteve a mágica malévola do Doutor Destino longe das mentes delicadas das crianças. Esta foi também a linha que publicou os primeiros números de Peter Porker, o Espetacular Porco-Aranha.

Parte do modus operandi da Star era copiar o sucesso da Harvey Comics, tanto no seu estilo distinto e também nas histórias. A Star vagou um pouco perto demais das propriedades da Harvey, no entanto, ao publicar o Royal Roy. O jovem milionário era basicamente uma cópia d’O Riquinho da Harvey – ou uma paródia muito preguiçosa. Pra complicar tudo, foi um ex-funcionário da Harvey que criou o personagem da Star. A Harvey processou a Marvel por infringir sua propriedade e Royal Roy foi cancelado depois de um punhado de edições.

Ron Perelman

ron perelman

Em janeiro de 1989, Perelman comprou a Marvel por um pouco mais de US$ 82 milhões. Logo depois, ele assumiu a empresa e aumentou os preços dos quadrinhos, achando que os verdadeiros fãs iriam aceitar a extorsão. Muitos o fizeram, mas numerosos fãs da Marvel pensaram que seus quadrinhos favoritos estavam lentamente perdendo seu brilho. Com uma diminuição da qualidade e um aumento no preço, a Marvel foi parte do grande colapso dos quadrinhos dos anos 90 – se não, uma das principais causas.

Perelman também usou a Marvel pra comprar outros jogos de cartas colecionáveis, quadrinhos, revistas e empresas de adesivos, gerando uma dívida de US$ 700 milhões pra empresa. A Marvel quase faliu, os quadrinhos quase morreram e, aos olhos de muitos fãs, Perelman foi o principal vilão desta saga.

Direitos dos Filmes

Homem-Aranha Guerra Civil

No início dos anos 90, a Marvel não tinha nenhum grande plano pra fazer filmes, então realmente não havia nenhum problema em licenciar seus personagens pra uma ampla gama de estúdios diferentes. Era basicamente dinheiro fácil pra deixar um estúdio alavancar um personagem bem conhecido. Entre os personagens licenciados estavam os X-Men, Homem-Aranha, Pantera Negra, Hulk, Viúva Negra, Capitão América, Thor e Homem de Ferro – essencialmente dividindo os Vingadores em uma meia dúzia de diferentes universos cinematográficos.

Em 2005, a Marvel alcançou melhor situação financeira e começou a comprar de volta os direitos de seus personagens – só a tempo pro surgimento do gênero de filmes de super-heróis. Durante a década seguinte – e com a ajuda do poderoso punho de quatro dedos da Disney -, a Marvel recuperou quase todas as suas propriedades, exceto aquelas que estão presas com a 20th Century Fox: os X-Men, o Quarteto Fantástico e Deadpool. Homem-Aranha manteve-se com a Sony, mas a Marvel fez um acordo especial de guarda compartilhada – mesma situação do Hulk.

Capitão América & O Quarteto Fantástico

quarteto fantástico 1994

Faz sentido que a Marvel não tenha se importado com seus filmes dos anos 90. Cada filme da Marvel antes de Blade de 1998 foi um fracasso, incluindo – mas não limitado a – Howard o Pato, o Quarteto Fantástico de 94 e a versão infeliz do Capitão América de 90.

O primeiro Quarteto Fantástico foi produzido por um pequeno estúdio de cinema que poderia legalmente manter os direitos sobre os personagens. Quando o executivo da Marvel Avi Arad viu o que foi feito, ele rapidamente comprou o filme, reembolsou a empresa que o produziu por seus custos e enterrou o rolo de filme num cofre. Custou alguns milhões de dólares pra Marvel pra tentar salvar a sua marca de ser banalizada por um filme de baixo orçamento.

Este fiasco ocorreu apenas quatro anos após a produção de Capitão América, que ficou preso no Limbo do desenvolvimento por oito anos antes do filme direto pra vídeo cassete finalmente ser lançado. Feito com um orçamento de US$ 10 milhões, o primeiro Cap registrou lucros de apenas de US$ 10 mil. A partir dessas origens humildes, a Marvel acabou por se tornar uma das maiores e mais confiáveis fontes de renda de Hollywood: a única falha desde 2000 foi O Justiceiro: Em Zona de Guerra de 2008, que perdeu cerca de US$ 25 milhões em bilheteria.

Defiant Comics

defiant comics

Apesar da maioria das ações da Marvel serem – discutivelmente – defensáveis, há momentos em que a empresa foi idiota. O caso mais evidente é Jim Shooter e a Defiant Comics.

Shooter foi contratado pela Marvel em 1976 e, no momento em que foi demitido em 1987, ele tinha subido através das fileiras pra se tornar o editor chefe da empresa. Durante seu mandato, ele foi creditado pela revitalização da Marvel e implementação de um melhor tratamento aos criadores, mas, ao mesmo tempo, ele insistiu em prazos rigorosos e controle editorial completo. Esta atitude alienou muitos artistas, que foram trabalhar pra DC, contribuindo pra ruína final de Shooter. A vingança final da Marvel ocorreu quando a nova empresa de Shooter, Defiant Comics, anunciou uma série contínua chamada Plasm. A filial britânica da Marvel tinha a propriedade de um personagem nunca utilizado chamado Plasmer e, porque os dois nomes eram semelhantes, a Marvel processou a Defiant, arrancando US$ 300 mil em taxas legais de Shooter e tirando sua empresa da jogada de uma vez por todas.

Image Comics


Questões de propriedades criativas continuaram a atormentar a Marvel mesmo depois de recontratar Shooter e as tensões estouraram em 1992. Oito dos principais criadores da Marvel foram ao Editor Chefe Terry Stewart e pediram melhor salário: mais dinheiro por página, mais royalties pelos personagens e uma parte mais justa do que a Marvel arrecadava pelo seu trabalho. Stewart recusou e os artistas se demitiram pra formar o seu próprio sistema interligado de estúdios, todos publicados juntos sob a bandeira da Image Comics.

Quando as notícias se tornaram públicas, as ações da Marvel caíram. A Image explodiu e revolucionou a forma como a indústria de quadrinhos valoriza os criadores e, enquanto a Marvel sobreviveu, ela poderia ter ficado à frente do jogo e poupado um monte de problemas apenas por jogar justo.

Guiding Light


Em 2006, o chefe de redação da Marvel, Joe Quesada, pensou que seria uma ótima ideia fazer uma parceria com a Procter & Gamble, mais conhecida por vender Pringles e a novela Guiding Light.

Então Guiding Light foi ao ar num episódio em que uma personagem de longa data levou um choque com algumas decorações de Halloween e ganhou super-poderes – e a Marvel escreveu sua própria versão da história como um crossover de seis páginas e, embora houvesse alguma esperança de que a parceria iria encorajar os espectadores de novelas e os fãs de quadrinhos a trocarem figurinhas, muitos não compraram a ideia e Guiding Light durou apenas mais alguns anos antes de ser cancelada.

As parcerias falhadas da Marvel não pararam por aí. Em 1980, a Casablanca Records pediu à Marvel uma história em quadrinhos de super-heróis que poderia apresentar um cantor ainda sem nome. A criação, chamada Cristal, usava roupas de discoteca ridículas e o poder de transformar o som em energia. Enquanto a Marvel produzia os quadrinhos, Casablanca nunca lançou uma cantora como Cristal, deixando a editora com uma heroína com temática terrível. Marvel reeditou a edição de estreia, que vendeu em grande número devido a uma quantidade sem precedentes de participações especiais de super-heróis – parte das exigências da Casablanca. Hoje, Cristal participa principalmente dos quadrinhos X-Men, mas geralmente é um bom lembrete de como os super-heróis estão melhores sem se misturarem com outras mídias.

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