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Os Cavaleiros do Zodíaco – A Guerra do Santuário

 

Yo, nerds! Beleza? Sejam muito bem-vindos ao nosso segundo “Nerd Book”! Hoje nós vamos trazer uma história cheia de suspenses e muita ação, com o tema Cavaleiros do Zodíaco! Então, sem mais delongas, sente, relaxe, e aproveite a história

Capítulo 1- O Clamor do Traidor.

O dia estava claro. Pássaros cantarolavam, enquanto Aioria atravessava o santuário, carregando a urna da armadura sagrada de Leão em suas costas. Enquanto andava pela entrada do santuário, Aioria observava os aspirantes a cavaleiros treinando incansavelmente, e lembrou da época que seu irmão mais velho, Aioros, o ensinava o que era o cosmo, e como fazer para queimá-lo. O Cavaleiro de Leão, porém, não gostava de recordar este tipo de coisa, já que considerava seu irmão um traidor por ter cometido blasfêmia, e acusado o Mestre do santuário de estar descumprindo a vontade de Atena. Por todos fora tachado como o irmão mais novo do traidor, e desprezado por todo o santuário.

-“(Irmão Aioros, um dia, irei corrigir todos os seus pecados cometidos em vida. Não entendo por quê você traiu Atena, mas farei com que você seja apagado das lembranças deste santuário…)”- Pensou o Cavaleiro de Leão, enquanto ia em direção a Sala do Mestre.

Aioria andava um pouco distraído, perdido em pensamentos, e acaba esbarrando com um pequeno garoto de feições familiares. O Cavaleiro de Leão se desculpa, e o menino fala:

-“Senhor Aioria!”- Aioria reconhece facilmente aquela voz e aquelas feições.

-“Seiya! Não deveria estar treinando? Onde está a Marin?”- Indagou Aioria.

-“Aí está você!!”- Gritou uma voz feminina atrás do Cavaleiro de Leão -“Eu te procurei por toda a parte, Seiya! Tenha mais disciplina! Suas flexões agora aumentarão para duas mil!”- Uma jovem mulher, com uma máscara em seu rosto agarrou o pequeno Seiya pelo pulso e disse -“Obrigada por seu zelo, Aioria. Seiya havia sumido durante o treinamento”- disse a jovem.

-“Não precisa agradecer, Marin. E, Seiya, leve seu treinamento mais a sério. Afinal, você e Marin são os únicos orientais por aqui, e pelo o que eu sei, você quer levar a sua armadura de Pégaso para o Japão, certo? Tenho certeza que com os ensinamentos de Marin e o seu potencial, você conseguirá conquistar a armadura sagrada.”- Disse Aioria, sorrindo para Seiya.

O pequeno aspirante a cavaleiro sorriu de volta para Aioria, enquanto a jovem corou por debaixo da máscara, despedindo-se do Cavaleiro de Leão. Aioria então, continuou rumo à Sala do Mestre.

Chegando lá, Aioria atravessou o grande salão, depositou sua urna no chão, e ajoelhou-se perante ao Mestre do Santuário.
-“Vejo que retornou de sua missão de reconhecimento, Cavaleiro de Leão”- Disse o Mestre, sentado em um grande trono dourado.

-“Sim, vossa alteza. Por favor, chame-me para quaisquer outras missões que o senhor precisar. Estarei a disposição(Tudo para limpar o meu irmão deste santuário…).”- Disse o Cavaleiro de Leão, pensando na honra que lhe foi comprometida.

-“Aioria, entendo que queira honrar seu nome e fazer com que o santuário esqueça-se de seu irmão, mas o que ele cometeu foi imperdoável. Não fique tentando honrar aquele que não lutou por Atena. Está dispensado por hoje.”- Com essas palavras, Aioria sentiu uma forte angústia e frustração. Levantou-se, fez uma pequena reverência ao Mestre, e pôs sua urna nas costas, deixando o salão.

Inconformado com a situação, Aioria socou imponentemente uma enorme rocha, que em instantes, reduziu-se à poeira e pequenas pedras.

-“Vejo que não está em um bom dia…”- Disse uma voz vinda de trás de Aioria.

O Cavaleiro de Leão virou-se e viu um sujeito de longos cabelos azulados, jaqueta preta, e camiseta vermelha, também carregando uma urna dourada nas costas, descendo as escadas do santuario lentamente para cumprimentar Aioria.

-“Miro, por favor, não me venha com nenhum sermão, ou discurso mirabolante, pois não estou com paciência alguma para ouvir. E além do mais, por que não está trajando a sua armadura no seu posto, na casa de Escorpião?”- Indagou Aioria, em um tom levemente irônico.

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-“He-heh! Calma, gato pulguento. Eu cheguei há pouco tempo também. Não estou aqui para brigar com você. Mas afinal, o que o Grande Mestre disse para te deixar tão nervoso?”- Perguntou o Cavaleiro de Escorpião.

-“Escute, você não tem mais o que fazer? Deveria estar na casa de Escorpião, pois lá é seu posto, e ao invés disso, está aqui fazendo perguntas tolas…”- Disse Aioria, mostrando se incomodado com as indagações de Miro.

-“Ei, vai com calma. E eu te pergunto a mesma coisa: Não deveria você estar defendendo a casa de Leão, ao invés de ficar aqui quebrando coisas e lamentando o passado?”- As palavras de Miro atingiram Aioria profundamente -“O que estou tentando dizer é que você passa todo o tempo tentando recuperar o orgulho que o seu irmão tirou de você, enquanto você poderia reconstruir esse orgulho simplesmente cumprindo seu dever…”- Miro então virou-se e despediu-se de Aioria, subindo as escadarias até a casa de Escorpião.

O Cavaleiro de Leão andava confuso com as palavras de Miro, mais uma vez, perdido em pensamentos, andando em devaneios. Lembrando daquela mesma pergunta que jamais fora respondida: Por que seu irmão traiu o santuário? E a que custo? Enquanto andava perplexo pela casa de Leão, uma voz ecoou muito rapidamente por sua mente:

-“…Você não está sozinho…”-

Um arrepio passou pela espinha de Aioria instantaneamente, que voz era aquela? O que estava acontecendo? Será que era apenas sua mente pregando peças nele mesmo? E o pior, aquela voz era idêntica a de Aioros, seu falecido irmão.

* * *

Uma casa à frente a casa de Leão, estava a casa de Virgem. Dentro dela, encontrava-se um homem, de longos cabelos loiros, trajando uma armadura dourada, e sentado em posição de meditação. Provavelmente, o homem estava naquela posição por horas, talvez até dias…

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-“Sinto uma perturbação ecoando pelo santuário… O pior de tudo, é que isto vem acontecendo desde a notícia da morte do Cavaleiro de Sagitário, no entanto, dessa vez está mais forte do que nunca. Mas, por que? Será por quê as doze casas estão incompletas? Não. O Mestre Ancião havia se retirado há muito tempo, bem antes de Aioros sequer se tornar um cavaleiro, e desde então, nunca havia sentido tamanha perturbação. Além disso, a casa de Áries e de Gêmeos também estão vazias. É como se a voz de alguém estivesse entrando em contato com o mundo dos viventes…”- Disse Shaka, o cavaleiro de ouro da casa de Virgem.

-“…Consegue…me ouvir?”- A voz ecoou pela mente de Shaka. Perplexo e espantado Shaka disse -“Essa voz…Só pode ser…!!”- Enfim o cavaleiro se deu conta.

-“Aioros, o traidor…! responda-me, por qual motivo você optou por trair o santuário? Responda!”- Exclamava o Cavaleiro de Virgem, ansioso por uma resposta.

Por alguns segundos que pareceram uma eternidade, só se ouviu o mais puro silêncio, além da respiração forte e ansiosa de Shaka, que se encontrava muito perplexo diante da situação. Enfim, a voz retornou e disse:

-“…Vocês estão sendo manipulados…”- A voz repetiu a mesma coisa por diversas vezes.

Novamente, nada mais se ouvia, além da forte respiração de Shaka. O Cavaleiro de Virgem respirou fundo, e procurou se acalmar. Em seguida, perguntou -“Aioros, responda-me apenas uma coisa. É, de fato, a vontade de Atena que ainda está comandando este santuário…?”-

Por longos instantes, o silêncio permaneceu, mas enfim, a voz respondeu o cavaleiro com uma única palavra:

-“Não…”-

Capítulo 2 – O Chamado dos Heróis.

A noite caía sobre o Monte Rozan, nos Cinco Picos Antigos. Sentado, perto de uma cachoeira, estava um velhinho, muito pequeno, que parecia estar esperando por alguém.

-“Mestre Ancião…?”- Disse um indivíduo andava em direção ao velho.

-“Eu estava à sua espera…meu caro, Mu.”- O pequeno velho virou-se para ficar defronte aquele indivíduo, e viu uma pessoa de cabelos cor-de-lavanda na altura da cintura, usando uma camisa amarela simples, revestida em um pano vermelho, com dois sinais circulares no lugar de suas sobrancelhas, e carregando uma urna dourada nas costas.

-“Mestre, como vai o senhor?- Perguntou Mu, educadamente para o Mestre Ancião.

-“Vou bem, Mu, meu caro. A cada dia que passa, sinto-me definhando mais e mais. Eu sei que não deu para notar, mas estou ficando mais velho. Hah-ha!”- Disse o Mestre Ancião em um tom de humor, piscando para Mu.

Mu riu para o Mestre Ancião, e em seguida perguntou -“Como estão seus aprendizes, Mestre?”-

-“Vão muito bem. Treinando sempre mais e mais a cada dia. Shiryu é sempre calmo e paciente para com seus afazeres, e parece que será um excelente Cavaleiro de Dragão. Ohko, no entanto, é muito impulsivo, e sempre tenta fazer as coisas de seu jeito, nem que tenha que ser agressivo para isso. Isso é típico de Áries não é, Mu?”- Disse o Mestre Ancião, em um tom suave.

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-“Sim, de fato. Nós de Áries tendemos a ser muito impulsivos. Eu também serei mestre um dia. Irei treinar um novo lemuriano, seu nome é Kiki. No entanto ele tem apenas dois anos agora, mas pretendo treiná-lo até que seja o meu sucessor como Cavaleiro de Áries.”- Respondeu Mu, o Cavaleiro de Áries.

-“Isso é muito bom, Mu. Ser mestre é um enorme privilégio para um cavaleiro. Tenho certeza que seu mestre, Shion, estaria muito orgulhoso de você agora.”- Disse o Mestre Ancião, elogiando a atitude de Mu -“No entanto, Mu. Eu o chamei aqui para discutirmos uma coisa que pode mudar completamente o destino do santuário. Você fez uma longa viagem de Jamiel até aqui, portanto vamos entrar. Os meninos e a Shunrei já devem estar dormindo…”- Completou o Mestre Ancião.

Dentro de sua casa, Mestre Ancião e Mu conversavam, enquanto tomavam uma xícara de chá -“Você também sentiu, não foi, Mu?”- Questionou o Mestre.

-“Sim, Mestre. Aquela sem dúvida era a voz de Aioros.”- Respondeu Mu, bebericando o chá.

-“Mu, desde a última Guerra Santa não ponho os pés naquele santuário. Eu pressentia que algo como isso iria acontecer, no entanto, estou velho demais para fazer alguma coisa.”- Disse o Mestre Ancião, um tanto frustrado.

-“Mestre, eu…nunca cheguei a conhecer muito bem Aioros. Mas antes de ele ser acusado de traição, eu ouvia histórias sobre Aioros, de que ele era um guerreiro exemplar, e muito virtuoso. Haviam inclusive rumores de que Aioros seria o próximo Grande Mestre do santuário. Sinceramente, eu não acredito que Aioros seria capaz de trair a vontade de Atena, ainda acho que alguém ou alguma coisa está por trás disso tudo.”- Disse Mu, esclarecendo seu ponto de vista.

-“Eu concordo com você, Mu. Até onde eu sei, Aioros era um cavaleiro que possuía uma lealdade imensa para com Atena e o santuário. Não creio que trairia o santuário por algum motivo que não fosse a justiça. E, convenhamos, o santuário de hoje está muito diferente do que era na minha época… há certos indivíduos que eu sinceramente não sei como foram aceitos como Cavaleiros de Ouro. Como por exemplo, aquele tal de Máscara da Morte de Câncer, ou Shura de Capricórnio, que parece muito suspeito.”- Disse o Mestre Ancião, tossindo um pouco, por já estar bem velho.

-“De qualquer forma, Mestre, estarei partindo para a Grécia ainda hoje, preciso averiguar esta situação a fundo…mesmo que hajam muitos suspeitos, ainda há muitos cavaleiros confiáveis no santuário, como meu amigo Aldebaran, Shaka, Miro e aquele tal de Camus de Aquário. Além do mais, preciso saber como Aioria está depois da morte de seu irmão. Soube que ele foi desprezado por todo o santuário nesses sete anos.”- Comentou Mu, levantando-se e pondo sua urna dourada de Áries em suas costas.

-“Você se parece muito com Shion, meu caro Mu. Sempre pensando em como ajudar os outros. Pois bem, deixe-me acompanhá-lo até a porta.”- Disse o Mestre Ancião.

-“Obrigado, Mestre. Á propósito, você ainda possui sua armadura de libra, certo?”- Indagou Mu.

-“Sim, eu ainda a possuo. No entanto, se algo acontecer no santuário, não terei condições de defendê-lo. Tudo o que posso fazer é dispor aos cavaleiros o meu cosmo. Boa sorte, Mu. Faça uma boa viagem.”- Disse o Mestre Ancião, despedindo-se de Mu, enquanto este descia o Monte Rozan.

* * *
Miro observava o entardecer na Grécia, de fora da casa de Escorpião. No entanto, sentia uma estranha sensação, mas procurava ignorá-la.

-“MIRO!”- Gritou uma voz familiar, vindo das escadarias da casa de escorpião. Ao olhar para as escadas miro viu um rosto familiar, de madeixas loiras, trajando a armadura de Virgem.

-“Shaka! O que houve?”- Perguntou o Cavaleiro de Escorpião, confuso.

Shaka subiu as escadarias até a casa de Escorpião e disse -“Você precisa vir comigo agora até a casa de Sagitário. O que vou lhe dizer agora pode mudar tudo o que sabemos sobre o santuário…!”-

Miro arqueou a sobrancelha, em forma de perplexidade e questionou -“O que é tão importante, Shaka? A casa de Sagitário é restrita pelas ordens do Mestre Ares, ninguém deve ficar lá.”- O Cavaleiro de Escorpião jamais vira Shaka tão eufórico. Era sempre calmo e equilibrado.

Shaka logo o respondeu -“Nada disso pode importar mais agora. Você também sentiu esta sensação correto? Esta sensação estranha…”- Miro gelou. Como Shaka sabia desta sensação, e o que poderia mudar o santuário de tal forma? -“Escute, Miro. Talvez as respostas das quais precisamos estejam na casa de Sagitário, mas preciso que você vá comigo até lá. Não confio em mais ninguém para ir comigo além de você. Máscara da Morte, Shura e Afrodite são extremamente suspeitos, Camus não é confiável, Aioria poderia ficar chocado demais, e Aldebaran está muito longe e não iria entender direito. Portanto Miro, peço que me acompanhe.”-

Miro já estava ficando assustado, mas se Shaka estava dizendo que aquilo mudaria todo o santuário, então não sabia como contrariar. O Cavaleiro de Escorpião aceita a proposta. Os dois atravessaram a casa de Escorpião, e subiram as escadarias até Sagitário. O que será que os espera lá?

Capítulo 3 – O Pranto de Escorpião.

Shaka e Miro finalmente chegaram na casa de Sagitário, tão vazia e deserta, que os passos dos dois cavaleiros ecoavam por todo o salão. Quanto mais os dois adentravam naquela casa, aquela sensação desconfortante crescia cada vez mais e mais.

-“Shaka, o que acontece se o Mestre descobrir que estamos invadindo os domínios restritos da casa de Sagitário? Seremos severamente punidos.”- Disse Miro, um tanto nervoso.

-“Miro…acalme-se. Talvez estejamos lidando com um inimigo que esteja bem debaixo de nossos narizes. Você não acha muito estranho? Aioros, justamente o cavaleiro mais leal de Atena, acusar o Grande Mestre de traição? Sendo que todos diziam que Aioros seria o próximo Grande Mestre. E, há pouco, tenho certeza de que ouvi a voz de Aioros, alegando de que este santuário não está sendo comandado pela vontade de Atena. Eu sei que por muito nós acatamos as ordens do Grande Mestre, e além do mais, eu sou seu conselheiro. No entanto ele mudou muito desde a morte de Aioros. O que nós temos a perder?”- Respondeu Shaka, procurando acalmar o companheiro.

-“Shaka, responda-me…o que pretende fazer aqui na casa de Sagitário? Aioros já está morto. Do que iria adiantar?”- Indagou Miro.

-“Não é óbvio, Miro? A casa de Sagitário foi a casa que Aioros defendeu por toda a sua vida. Pelo menos um pouco da essência de sua alma e de seu cosmo deve ter sido depositada neste lugar. Tomara que seja o suficiente para que eu possa entrar em contato com ele.”- Respondeu Shaka.

O Cavaleiro de Virgem, sentou-se no meio da sala, em posição de meditação e disse a Miro -“Irei meditar um pouco e procurar entrar em contato com o Sagitário. Enquanto isso, peço para que tome conta para que nada interrompa o transe.”-
Miro acena com a cabeça e deseja boa sorte a Shaka, enquanto este começa a sua meditação.

* * *

Na Sala do Mestre, o Mestre Ares, olhava a vista do santuário -“(Essa sensação…será que…não. Não é possível que aquele desgraçado tenha conseguido se comunicar com o mundo dos vivos.) Pensou o Mestre.

Logo em seguida, o Mestre do Santuário ouviu a sua própria voz ecoando em sua cabeça -“(Você não pode enganá-los para sempre…Você não vai enganá-los para sempre…)”- O Mestre cambaleou para trás, derrubando uma pequena mesa, e quebrando uma taça de vinho.

-“Eu irei enganá-los, todos eles! E mesmo que descubram, será tarde de mais! Já terei dominado a Terra, os mares e até o Mundo dos Mortos!”- Gritou o Mestre, em frenesi.

-“…Não…eles virão até você…”-

Ele logo reconheceu aquela voz -“Essa voz! Só pode ser você, seu desgraçado! Você não irá estragar meus planos, não depois de morto!”- Gritou o Mestre novamente.

-“…Você não pode os conter… Quando eles descobrirem, eles virão até você…Principalmente…Aioria…”- Disse a voz novamente.
O Mestre Ares rosnou, e em seguida, gritou furioso -“MALDITO AIOROS!!”- e bateu no chão, imponentemente.

* * *

Na casa de Sagitário, Shaka encontrava-se em um estado de meditação profunda, elevando seu espírito e seu cosmo, tentando comunicar-se com Aioros.

Enquanto meditava, o Cavaleiro de Virgem via um lugar completamente branco, com uma figura aproximando-se ao longe, vestindo um traje marrom, e por baixo, uma roupa de cor azulada. E em sua testa, uma faixa vermelha.

O homem aproximou-se de Shaka, e possuía feições muito parecidas com as de Aioria. Não havia mais dúvida de que aquele era…

-“Aioros…Aioros de Sagitário”- Disse Shaka, com a voz um tanto trêmula.

Aioros abriu um sorrirso para o Cavaleiro de Virgem. E disse -“Então, você é Shaka. O Homem mais Próximo de Deus. Justamente com quem eu queria falar…”-

Shaka ficou confuso com tudo aquilo, e indagou -“Aioros, o que está acontecendo? Por que você traiu o santuário? O que quis dizer quando disse que o santuário não é mais movido pela vontade de Atena?”-

-“Acalme-se, Cavaleiro de Virgem. Todas as suas perguntas serão respondidas. No entanto…não mais pertenço ao mundo dos vivos, portanto terei que explicar-lhe rápido”- Disse o Cavaleiro de Sagitário.
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-“Pois bem. Minha principal pergunta é: Por que você traiu o santuário?”- Questionou Shaka.

-“Tudo começou há sete anos atrás. No dia 1° de Setembro,havia nascido uma menina que seria dita como a reencarnação da Deusa Atena. Neste dia, eu havia voltado para a Grécia para presenciar o ocorrido, e me encontrar com meu irmão Aioria e meu melhor amigo, Shura. No entanto, quando me dirigi a sala onde a menina estava, vi o Mestre do Santuário segurando um punhal, pronto para degolar a menina…quando eu o parei. Peguei a menina em meus braços. Então o Mestre atacou…eu consegui revidar o ataque, e ao fazer isso, sua máscara caiu. Então descobri que o verdadeiro traidor era na verdade…”-

Antes que Aioros pudesse dizer, seu corpo começou a se desmaterializar daquele lugar.

-“O que está acontecendo?!”- Questionou Shaka, ansioso.

-“Eu…não pertenço mais…ao mundo dos viventes…meu cosmo está se enfraquecendo…se quiser…me encontrar novamente…terá que…equilibrar sua alma…entre o mundo dos vivos…e…dos mortos…”- Aioros finalmente se desfez por completo. Neste mesmo instante, o transe de Shaka foi interrompido.

-“Shaka, você está bem? O que conseguiu?”- Perguntou Miro, que estava tomando conta da meditação de Shaka.

-“Aioros não é um traidor. No entanto, eu ainda preciso de respostas. Preciso dar um jeito de ir até a alma de Aioros pessoalmente…”- Disse Shaka, com uma voz suave.

-“E agora o que vamos fazer?”- Indagou Miro.

-“Aioros já não mais pertence ao mundo dos vivos. Nesse caso, não há outra coisa a fazer. Miro, perfure-me com suas agulhas escarlates.”- Respondeu Shaka, diretamente.

-“Como é…?!”- Indagou Miro, espantado.

Shaka então disse -“Você me ouviu, Miro. Não há outra escolha. Precisamos de respostas, precisamos saber quem ou o quê está por trás disso tudo. Portanto, perfure-me com suas 15 agulhas escarlates.”-

-“Shaka, mesmo que seja um pedido seu, não posso fazer isso. Como posso ferir um amigo meu desse jeito?! E além do mais, o que garante que você irá voltar do sono de morte?!”- Miro já estava ficando assustado com a situação.

-“Miro, isso não é por mim, isso é pelo bem do santuário. E se eu realmente sou um cavaleiro de ouro, eu irei voltar. Além disso, lhe garanto que não irá doer nada.”- Disse Shaka, logo abrindo um sorriso para o companheiro. O Cavaleiro de Virgem posicionou a palma de sua mão esquerda bem em frente ao seu rosto, e disse -“Remoção do Primeiro Sentido!”- Privando a si mesmo do sentido do tato -“Vamos Miro…perfure-me…”-

O Cavaleiro de Escorpião permanecia em choque, porém assentiu com a cabeça e de seu dedo indicador direito surgiu uma unha afiadíssima de tonalidade escarlate. Miro a apontou diretamente para Shaka e gritou -“Agulha Escarlate!”- uma fina agulha disparou em alta velocidade do dedo indicador de Miro, perfurando o braço direito de Shaka. Em seguida mais duas agulhas foram lançadas, perfurando o braço e a perna, respectivamente. Em seguida, mais três. O Cavaleiro de Escorpião não aguentava aquela cena -“Shaka por favor, já chega disso! Vamos embora!”- Gritou Miro, tremendo de agonia, implorando para que tudo aquilo acabasse.

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O corpo de Shaka estava quase todo coberto de sangue, bem como sua boca, escorrendo o líquido rubro pelos cantos -“Ainda…faltam…nove agulhas…”- Disse Shaka, com dificuldade.

Miro fechou os olhos, disparando mais duas agulhas. Em seguida, mais duas, e por fim, disparou mais quatro. O Cavaleiro de Escorpião não aguentava mais. Não aguentava ver seu amigo a beira da morte. Shaka então ordenou para que Miro disparasse a última agulha. O último e mais poderoso golpe da agulha escarlate: Antares. Porém, o Cavaleiro de Escorpião não conseguia se mover. A mão que atirava as agulhas tremia sem parar, e de seus olhos escorriam lágrimas de agonia…

-“…Miro…não tenha medo…”- Disse Shaka, enquanto se aproximava lentamente de Miro. Sangrando, tropeçando e quase perdendo a consciência, o Cavaleiro de Virgem aproximou-se até encontrar-se a dois palmos de Miro de Escorpião. Shaka então pegou o pulso direito do Cavaleiro de Escorpião, e aplicou a si mesmo, o último golpe da Agulha Escarlate. Perfurando o último ponto de seu corpo.

Miro instantaneamente removeu seu dedo indicador do corpo de Shaka, coberto de sangue. O Cavaleiro de Virgem tombou inerte. Miro não podia acreditar -“Meu Deus! O que foi que eu fiz?! Eu matei Shaka de Virgem!”- Disse ele, desesperado e aterrorizado.

O Cavaleiro de Escorpião arrependeu-se no mesmo instante de ter escutado Shaka, e tentou, inutilmente, reanimar seu companheiro, que se encontrava inerte, ainda jorrando sangue. Miro perfurou o centro do peito de Shaka, no intuito de parar o sangramento. No entanto, não mais ouvia o coração de Shaka bater…O Cavaleiro de Escorpião, cerrou seus punhos, derramando lágrimas de agonia e terror e gritou com todas as suas forças -“SHAKA!!”- em seguida, pondo-se a soluçar…

Capítulo 4 – A Verdade Nunca Revelada.

Shaka estava em seu leito, entre a vida e a morte. O veneno das agulhas escarlates ainda estava se instalando por seu corpo. Teria que resistir ao máximo para conectar-se com a alma de Aioros e voltar com vida para o mundo dos viventes. Shaka estava em um lugar completamente vazio, e viu um homem se aproximando novamente. O homem estava de frente para Shaka, e pôs a mão em seu ombro esquerdo, dizendo:

-“Você é, de fato, um cavaleiro de ouro, Shaka de Virgem”- Disse Aioros, sorrindo.

-“Por favor, Aioros. Preciso saber…quem está no poder do santuário atualmente?”- Perguntou Shaka.

Aioros calou-se por alguns instantes, mas em seguida respondeu, rispidamente -“Seu nome, é Saga. Saga de Gêmeos…”-
O Cavaleiro de Virgem gelou. Estava começando a suar frio, e tremer, ao pensar e buscar em suas memórias que todos esses anos fora enganado por ninguém menos que o Cavaleiro mais forte a serviço de Atena. E que, era tão leal à vontade da deusa quanto o próprio Aioros.

-“M-mas, como?! Saga costumava ser tão bondoso, e um tanto reservado também, mas até o seu sumiço jamais havia representado nenhum mal a Atena!”- Exclamou Shaka, extremamente nervoso e incomodado.

-“Deixe-me continuar…você não tem muito tempo.”- Disse Aioros, logo em seguida.

Shaka engoliu em seco, mas respirou fundo, acalmou-se, e deu o sinal para que Aioros continuasse.

-“Pois bem. Como eu dizia, Saga tentou matar a menina. Quando contra ataquei seu golpe, sua máscara caiu.”- Aioros fez uma pausa, enquanto esperava Shaka se recompor, e continuou -“Eu fiquei extremamente surpreso na hora, mas não havia tempo para formalidades. Então, pulei daquela torre e corri o mais rápido possível. Saga gritou para todo o santuário que tentei matar Atena, e sabe por quê?”-

-“Não, eu não sei. Na verdade, jamais imaginaria isso, nem mesmo em sonhos…”- Disse Shaka, olhando levemente para baixo.

-“Eu lhe direi. Foi porque Saga sabia que eu seria o próximo Mestre do Santuário, mas não podia aceitar isso, então resolveu tomar meu lugar, me rotulando como traidor e enganando o santuário por sete anos…”- Respondeu Aioros, com uma expressão de pesar e então, continuou -“Levei a menina o mais longe possível, foi então que me deparei com a última coisa que eu desejava…”- Aioros cerrou os punhos, e fechou seus olhos, parecendo profundamente abalado -“Eu…encontrei meu melhor amigo, Shura, em minha frente. Ele recebeu ordens para me matar. Com seu braço direito erguido, já não mais me via como amigo, mas sim, como um maníaco, traidor. Ele usou seu golpe, Excalibur em mim. O golpe me causou um prejuízo considerável, mas continuei a correr, até um momento em que despistei Shura, escondendo-me atrás de uma residência, no vilarejo. Eu sangrava e ofegava. Foi então que…”- Aioros fez uma outra pausa, dessa vez, procurando recompor-se ele mesmo -“Ouvi a voz de meu irmão, Aioria, chamando por mim. Ele ainda era uma criança, não sabia o que estava acontecendo. Doeu-me ouvir a voz do meu irmão caçula, repleta de medo e dúvida. Tudo o que respondi a ele foi “Estou apenas cumprindo minha missão, Aioria…um dia sua vez também chegará…chegará o dia em que você sacrificará seu corpo e alma para atingir seu objetivo…”. Como eu esperava, Aioria não compreendeu. Mas eu não o culpo…jamais o culparia por me odiar hoje em dia”- Completou Aioros, com uma lágrima rolando por seu rosto.

Shaka, em seguida o respondeu -“Você foi um grande cavaleiro, Aioros. Na verdade, você foi o que mais sacrificou por Atena, aceitando o peso de ser um traidor para proteger o santuário e por amor ao seu irmão, que hoje, cresceu e se tornou um excelente Cavaleiro de Leão.”-

Aioros sorriu, orgulhoso de seu irmão. Limpou a lágrima que rolava por seu rosto, e continuou -“Shura tentava me localizar. Ele me notou logo quando eu me movi daquele lugar. Eu estava perto da entrada do santuário, alguns soldados também me perseguiam, mas rapidamente os neutralizei. Foi então que Shura apareceu, colocando-se em minha frente. Ele ergueu seu braço direito novamente, mesmo eu tentando me explicar e implorando para que não o fizesse. Shura disparava seus ataques de Excalibur, eu me desviava por muito pouco. Tomei distância para deixar a menina em um local seguro, em seguida, parti, relutantemente, para enfrentar meu melhor amigo. Ele me acertou com sua Excalibur. Sem outra alternativa, utilizei a armadura de Sagitário, e usei meu Trovão Atômico contra Shura, porém cometi um erro…”- Shaka ficava mais tenso a medida que Aioros continuava -“A pequena Atena saiu de minha vista, e quando me dei conta, Shura estava tão perto dela quanto estou perto de você agora. Ele me provocou, e eu não sabia o que fazer. Se eu desferisse qualquer golpe, a menina poderia ser atingida. Pensei demais e acabei sendo atingido em cheio pela Excalibur de Shura e estava para cair em um precipício. No entanto, dei muita sorte. Shura decidiu não matar a menina, para que ela morresse sozinha. E eu tinha na verdade me agarrado na beira do precipício sem que me notasse, e eu consegui salvar a pequena Atena, porém, paguei com minha vida…”-

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Shaka havia entendido tudo. O santuário foi enganado todos esses sete anos, mas ainda algumas dúvidas permaneciam em sua cabeça. -“Aioros, então…o que houve depois com Atena?”- perguntou.

Aioros respirou fundo, e respondeu o Cavaleiro de Virgem -“Eu estava perto da entrada do santuário, definhando pela hemorragia causada pela Excalibur, quando vi um turista, passando por lá. Seu nome era Mitsumasa Kido, dono de uma grande fundação pelo mundo afora. Eu o confiei a vida de Atena. Neste momento, jovens de todas as partes do mundo treinam para protegê-la. Inclusive, um deles está aqui na Grécia.”-

* * *

Mu estava chegando a casa de Áries, para averiguar a situação do santuário, quando viu um sujeito passar correndo por ele.

Mu reconheceu o sujeito, e o chamou -“Aioria? É você mesmo?”-

“Mu!” Exclamou Aioria, expressando felicidade, mas logo em seguida, expressou seriedade e agarrou o Cavaleiro de Áries pelo pulso dizendo -“Não tenho tempo para explicações, Mu! Apenas me acompanhe até a casa de Sagitário! Há pouco eu senti um cosmo muito poderoso se apagando aos poucos! E eu acho que é o cosmo de Shaka!”-

Mu não estava entendendo. Aioria estava extremamente nervoso, sua mão estava muito suada, e ela apertava fortemente o pulso do cavaleiro de Áries e subindo as escadarias tão rápido que Mu quase tropeçava -“Aioria, por que Shaka está morrendo?!”- Indagou o Cavaleiro de Áries, contagiado pelo nervosismo de Aioria.

Aioria nada falou, nem sequer ouviu a pergunta do amigo. Apenas corria o mais rapido que podia, suava, ofegava, dava a volta nas casas para que os outros cavaleiros não os notassem. Sentia que algo ruim estava acontacendo com o Cavaleiro de Virgem.

Na casa de Sagitário, Miro chorava fortemente, cobrindo seus olhos com o braço, encostado em uma pilastra. Sentia-se frustrado. Frustado com ele mesmo, com Aioros, com o santuário. O que ele iria dizer para os outros? Como iria explicar que matou seu amigo? Miro quase entrou em colapso diante das expectativas…

Aioria e Mu chegaram nos domínios restritos de Sagitário. O Cavaleiro de Leão viu Shaka caído no chão, com marcas de sangramento, e completamente imóvel. Em seguida viu Miro, que estava com seu dedo indicador direito coberto de sangue.10

Aioria cerrou os punhos, rosnou, e arrancou na direção de Miro. Mu tentou pará-lo, mas a ira do Cavaleiro de Leão era maior do que tudo -“Seu desgraçado! Como pode matar Shaka?! Você não é um cavaleiro de ouro, Miro! Você é um maldito, nem sequer é um homem!”- Aioria socou o rosto de Miro uma vez, duas vezes, três vezes, enquanto seus olhos marejavam em lágrimas. Miro não se defendia, permitia que o cavaleiro o golpeasse. Já havia perdido toda a sua honra ao matar o companheiro. Aioria pôs a mão na garganta do Cavaleiro de Escorpião, esmagando-a -“Aioria!! Pare, por favor!”- Gritou Mu.

-“Fique fora disso, Mu! Miro já não é mais um de nós! Ele matou nosso amigo Shaka, e isso não pode ficar em branco!! Eu vou terminar com isso aqui e agora…da mesma forma que você fez com Shaka…!”- O Cavaleiro de Leão ergueu a sua mão apontando-a para o coração de Miro.

-“Aioria…você não precisa ter que me perdoar…mas deixe-me explicar…o que realmente houve…aqui em…Sagitário…”- Miro tentava se expressar ao máximo, mas a mão de Aioria esmagava imponentemente a sua garganta.

-“Você vai se explicar no inferno, Miro!”- lágrimas de raiva percorriam o rosto do Cavaleiro de Leão.

-“Aioria, Miro, esperem!”- Gritou Mu, ajoelhando-se para examinar o corpo de Shaka. O Cavaleiro de Áries não sentia o coração de Shaka bater, mas sentia o cosmo emanando de seu corpo, o que significa, que não estava completamente morto.

-“Amigos, Shaka ainda não está morto por completo! Precisamos reanimá-lo, já!”- Exclamou Mu -“Mas o veneno ainda corre por suas veias. Terei de usar o controle molecular junto com minha telecinesia…”- Mu então concentrou seu cosmo para ajudar o amigo caído.

Miro e Aioria observavam. Mas logo partiram para ajudar Mu a concentrar o cosmo e remover o veneno

* * *

-“Agora eu compreendo, Aioros. Então significa que a Atena de que Ares…digo, Saga falava, era uma farsa?”- Perguntou Shaka.

-“Shaka, tudo o que Saga disse até agora é mentira. É por isso que eu lhes peço, encarecidamente, para que vocês o vençam antes que ele domine tudo e o mundo se perca em ruínas.”- Aioros então completou -“Você já sabe o suficiente, você deve voltar para seus amigos. Eu sei que Aioria nunca entenderá. Ele não precisa ter que me perdoar, mas não importa o que fizer, eu sempre o amarei, como meu irmão caçula.”- O Cavaleiro de Sagitário olhou para cima com lágrimas de alegria e orgulho percorrendo seu rosto.

Shaka então sentiu-se como estivesse se desintegrando -“O que é isso? Meu corpo está sumindo!”-

Aioros assentiu com a cabeça e disse -“Você está voltando para o mundo dos viventes. Você é um grande cavaleiro, Shaka de Virgem. Seus amigos precisam de você. Sei que comprometi a honra de Aioria, sei que por muito tempo ele sofreu às minhas custas, então, não espero que ele me perdoe, mas, eu amarei para sempre o meu irmão caçula…”-

Shaka estava se desintegrando, antes que desaparecesse duas palavras escaparam de seus lábios…

-“Obrigado, Aioros…”-

Capítulo 5 – Nunca o Esqueceremos, Sagitário.

Mu removeu cada molécula de veneno do corpo do Cavaleiro de Virgem. Agora só restava fazer com que seu coração voltasse a bater.

-“Afastem-se, eu cuidarei disso.”- Disse Miro, andando em direção ao corpo de Shaka.

Aioria cerrou os punhos e disse -“Você não vai fazer nada!”- dando um soco no plexo solar de Miro. O impacto fez com que o Cavaleiro de Escorpião colidisse na parede da Casa de Sagitário. A parede rachou levemente.

Mu pressionou o coração de Shaka, e, felizmente, o mesmo voltou a bater. Seu sangue agora pulsava, porém ainda estava gravemente ferido. Shaka acordou do sono de morte e respirou violentamente, tossindo um pouco. O Cavaleiro de Áries ajudou o companheiro a se levantar.

-“Shaka!! Que bom que está vivo! O que esse desgraçado fez com você?! Fale!”- Aioria estava com uma expressão de nervosismo anormal.

-“Aioria, acalme-se…fui eu que pedi para Miro me deixar à beira da morte…Pedi para que me perfurasse com as agulhas escarlates…”- Shaka disse, em seguida tossindo.

-“O quê? Você enlouqueceu?! Por que diabos fez isso…?!”- Aioria já estava ficando irritado com todas aquelas perguntas sem resposta.

-“Miro, me ajudou a estancar o sangramento, chorou por mim, sofreu por mim, enquanto eu descobria toda a verdade sobre o santuário…”- Disse o Cavaleiro de Virgem.

O Cavaleiro de Leão voltou seu olhar para Miro e andou em direção a ele. Aioria estendeu a mão para levantar o Cavaleiro de Escorpião e disse -“Me perdoe, Miro. Eu o julguei muito mal…’-

Miro ainda chorava. Chorava pelo terror que aquelas lembranças provocavam. Aioria ajudava o amigo a enxugar suas lágrimas.

-“Tudo bem. Precisamos sair daqui. Se formos notados nos domínios restritos da casa de Sagitário, irão convocar cavaleiros de prata para virem nos deter. Vamos para a casa de Áries.”- Alertou Mu, aos seus companheiros. Todos assentiram com a cabeça.
Enquanto saiam da casa de Sagitário a parede que Miro colidira rachou-se por completo. Todos viraram ao mesmo tempo para verificar o barulho, e se depararam com um testamento gravado na parede, com os dizeres:

“AOS JOVENS CAVALEIROS QUE AQUI CHEGARAM, EU LHES CONFIO ATENA
-AIOROS”

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-“O quê…é…Aquilo?!”- Indagou Aioria, espantado com aquele testamento.

-“Aioria, seu irmão…ele não é um traidor. Muito pelo contrario *tosse* ele na verdade foi o salvador do santuário. A razão de estarmos aqui agora.”- Disse Shaka com um pouco de dificuldade.

Aioria em disse em seguida -“Mas…como?! Meu irmão era um traidor! Ele quase matou Ate…”-

-“Isso era tudo mentira. Uma mentira inventada por ninguém menos que o Mestre do Santuário. O próprio Mestre foi quem tentou matar Atena e seu irmão deu sua vida para salvá-la…”- Shaka terminou.

Antes que Aioria pudesse fazer qualquer pergunta, os quatro cavaleiros de ouro foram surpreendidos por uma tropa de soldados na entrada da casa de Sagitário, liderados por 3 cavaleiros de prata. Todos estavam em posição de luta, e dos três cavaleiros de prata que estavam na frente, um deles deu um passo à frente e disse:

-“Nós somos Asterion de Cães de Caça, Dante de Cérbero, e Tremy de Sagitta, vocês foram pegos em flagrante invadindo os domínios restritos da casa de Sagitário. Em nome do santuário, vocês virão conosco!”-
Aioria deu três passos a frente e disse apenas uma palavra:

-“Não…”-

Dante de Cérbero então disse -“O quê?! Como assim “não”? Mesmo que sejam cavaleiros de ouro e estejam um ranking acima de nós, não podem desobedecer as regras do santuário!”-

-“Shaka…se meu irmão não é um traidor, ele comprometeu a minha honra fazendo com que eu fosse desprezado por todos, mas tudo isso para salvar Atena e…a mim?”- Perguntou o Cavaleiro de Leão.

-“Sim, exatamente Aioria…”- Respondeu Shaka.

Aioria imediatamente lembrou das palavras que Aioros lhe disse naquela noite fatal:

“Estou apenas cumprindo minha missão, Aioria…um dia sua vez também chegará…chegará o dia em que você sacrificará seu corpo e alma para atingir seu objetivo…”cena extra

Finalmente aquelas palavras faziam sentido…O objetivo de Aioros era salvar o santuário, e se sacrificou ao máximo para concluí-lo. Aioria estava muito feliz por seu irmão nunca ter mudado de fato, mas ao mesmo tempo, jamais sentira tanta raiva em toda a sua vida, raiva do santuário, de tê-lo enganado todo esse tempo, de ter sido humilhado por todos.

O Cavaleiro de Sagitta, Tremmy, impaciente disparou seu ataque contra Aioria, gritando -“Flechas Fantasmas!”- e flechas hipersônicas saíram de seus punhos.

Aioria cerrou os punhos, com muito ódio e gritou -“Escutem o rugido do Leão! Relâmpago de Plasma!!”- E num piscar de olhos, feixes de luz amarelados dissiparam as flechas de Tremmy e atingiram os cavaleiros de prata e os soldados, na velocidade da luz, partindo suas armaduras e perfurando seus corpos.

O golpe foi aplicado com tanto ódio e fúria, que nenhum dos cavaleiros ou dos soldados resistiu. Foram todos dizimados na mesma hora.

-“Aioria! Vamos depressa! Não podem nos notar aqui de novo. Coloquem suas mãos em meu ombro para que eu use o teletransporte até a casa de Áries.”- Disse Mu, apressando-os.

Todos os cavaleiros obedeceram e num piscar de olhos, já estavam na casa de Áries.

-“Mu, preciso que chame Aldebaran. Ele é o único cavaleiro confiável o suficiente, além de nós quatro, para quem eu possa contar sobre Aioros e o santuário. A noite já está caindo. Eu e os outros iremos a uma estalagem no vilarejo. Encontre-nos lá para que eu possa informar a todos vocês o que está acontecendo.”- Pediu Shaka.

O Cavaleiro de Áries assentiu com a cabeça, e imediatamente se teletransportou até a casa de Touro, enquanto os outros foram até o vilarejo, trajando apenas as suas roupas casuais para evitar serem reconhecidos.

Do lado de fora da casa de Áries, um homem ouviu tudo o que Shaka disse. Era um homem alto, com cabelos curtos e azulados, que, curiosamente, trajava a armadura de Câncer.

-“*Risadas* (Então esses idiotas descobriram o nosso plano, hãn? Não deve ser nada demais. Contanto que apenas o tibetano de Áries, o gato pulguento, aquele indiano budista e aquela matraca de Escorpião saibam, não deve ser problema. Se bem que o indiano é um cara muito estranho, melhor ficar de olho nele…Por ora, vou contar tudo pro Saga, e ficar de olho nesses palhaços. Se for preciso, eu mando essa cambada toda pro Sekishiki!)”- Pensou Máscara da Morte, o Cavaleiro de Câncer.
Máscara da Morte, então, correu para a Sala do Mestre. Entrando no salão, curvou-se e relatou o que presenciou para o Falso Mestre.

-“Aioros…com certeza aquele miserável contou tudo a eles. De que outra forma eles desconfiariam de mim? Máscara da Morte, você terá que cuidar deles pessoalmente! Assim que você os encurralar, quero que os mate, mandando-os para o Mundo dos Mortos! Eu fui claro?”- Ordenou o Falso Mestre.
O Cavaleiro de Câncer deu um sorriso sádico e disse -“Assim será feito, Saga…”- e partiu para a sua missão.
* * *
Aioria bateu com seu punho na mesa, impaciente, e disse -“Mas que demora! Onde estão Mu e Aldebaran?”-
-“Fique calmo, Aioria. Tenho certeza de que eles já estão vindo.”- Disse Miro, enquanto tomava mais um gole de sua bebida.

O sino da porta de entrada toca enquanto a porte se abre. Mu chegou com Aldebaran, o Cavaleiro de Touro. Era muito alto, robusto, e vestia uma jaqueta de couro marrom, camiseta amarela, calças jeans, e sapatos pretos. Os dois rapazes sentaram-se junto de seus amigos, para ouvir o que seu amigo Shaka tinha a dizer.

-“Muito bem. Reuni todos vocês aqui para contar a verdade sobre o santuário. Chamei somente vocês, os colegas que posso confiar. A verdade que descobri pode chocar vocês todos, principalmente você Aioria…”- Disse Shaka, voltando suavemente seu olhar para Aioria.

O Cavaleiro de Leão engoliu em seco, e enfim Shaka explicou tudo para seus companheiros. Ele falou, falou e falou por mais ou menos quarenta minutos. E, a cada minuto, os cavaleiros ficavam mais tensos e confusos. Ao terminar, todos começaram a discutir sobre o quê ouviram.

-“Mas…Aioros…ele não era um traidor…?”- Indagou Miro.

-“Deixa eu ver se entendi. Aioros salvou o santuário e a vida de Atena enquanto o próprio Mestre tentava matar Atena. Não que eu esteja duvidando de você Shaka. Peço desculpas, mas isso para mim é um absurdo. O Mestre nunca foi assim. Acredito que Aioros tenha salvado a vida de Atena, no entanto o Mestre nunca agiu de tal maneira. Ele era adorado por todos, e mesmo que você diga que o Mestre é Saga, ele nunca faria algo assim também. E outra, o que aconteceu com o antigo Mestre do Santuário? Quero dizer, Saga não pode ter sido o mestre o tempo todo, concordam?”- Disse Aldebaran, explicando seu ponto de vista.

-“Aldebaran, você fez uma boa observação. No entanto, lembro-me que meu mestre, Shion, me disse que os Cavaleiros de Gêmeos carregam uma maldição hereditária. Tal maldição faz com que o cavaleiro possua uma dupla personalidade, ou seja, uma face boa e uma ruim. E se a face ruim estiver no controle de Saga no momento?”- Disse Mu, a Aldebaran.

-“Mas o que aconteceu com o antigo Mestre?”- Disse Miro.

-“No momento, isso eu não consegui descobrir. No entanto eu descobri que Saga já planejava tirar Aioros de seu caminho, pois seria o próximo Grande Mestre do santuário.”- Respondeu Shaka.

Aioria permaneceu calado por toda a discussão. Sequer prestava atenção no que seus amigos estavam dizendo. Estava completamente perdido em seus pensamentos. Tudo o que soube sobre seu irmão fora mentira. E foi desprezado por todos no santuário. Sentia-se frustrado e muito culpado por odiar seu irmão mesmo que ele tenha se sacrificado por ele. O Cavaleiro de Leão já estava irritado com toda aquela situação, e disse rispidamente:

-“E o que nós estamos esperando?”-

Todos voltaram sua atenção para Aioria. Ele se levantou e disse -“Vamos, nós podemos acabar com tudo isso agora! Nós não vamos ganhar nada se ficarmos aqui parados! Vamos até a Sala do Mestre, dar um fim no reino de terror de Saga!”-

-“Fique calmo, Aioria. Também não iremos conseguir nada se tomarmos uma decisão tão equivocada quanto a sua.”- Respondeu Mu.

-“Eu tenho uma sugestão. Acho que encontraremos a resposta se formos em Star Hill. Afinal, era o lugar que o Mestre previa acontecimentos futuros. Lá, estão guardados diversos segredos antigos…”- Disse Miro.

-“Certo, vamos para lá amanhã. Miro e Aioria, amanhã cedo, iremos a Star Hill, enquanto Mu e Aldebaran cuidam para que a situação não fuja do controle, está certo?”-

Todos concordaram. Eram por volta de seis e meia da noite, e todos saíram da estalagem. No entanto, indo para a entrada do santuário, uma figura encapuzada os esperava no centro do vilarejo, dizendo -“Vocês não vão a lugar algum…”-

Os cinco cavaleiros estranharam, e colocaram-se em posição de luta, embora, não estavam com suas armaduras.

O homem tirou o capuz, revelando-se e disse -“Vocês sabem muito sobre os nossos planos. É melhor eu acabar com vocês aqui e agora, antes que vocês resolvam se rebelar!”-

-“Máscara da Morte?!”- Os cinco cavaleiros falaram ao mesmo tempo.

13

O Cavaleiro de Câncer apontou o dedo indicador direito para os outros cavaleiros, e disse -“Vou mandar todos direto para o Inferno!”- em seguida gritou -“Ondas do Inferno!!”- E uma rajada de ondas espiraladas foi disparada na direção dos cavaleiros.

Mu saltou para se colocar na frente dos amigos e gritou -“Muralha de Cristal!”- e as ondas se dissiparam ao tocar na barreira.
Uma correria se iniciou no vilarejo. Cidadãos em pânico corriam para todos os lados, visando fugir de um confronto entre os cavaleiros mais poderosos de Atena.

-“Não temos escolha! Agulha Escarlate”- Gritou Miro disparando seu ataque.

Máscara da Morte escapa por muito pouco do ataque. No entanto, estava em enorme desvantagem. Precisava focar no principal alvo: Shaka, o mais perigoso dos cavaleiros que ali estavam.

-“Mortalhas Infernais!”- Gritou o Cavaleiro de Câncer disparando seu ataque contra Shaka.

Aioria colocou-se na frente de Shaka, e gritou -“Prepare-se Máscara da Morte, a minha Pata do Leão irá sobrepujar o seu cosmo!”- Aioria lançou seu ataque, que colidiu com as Mortalhas Infernais de Máscara da Morte. Os dois ataques se dissiparam pelo excesso de energia.

O Cavaleiro de Câncer arrancou e deu um soco direto no peito de Aioria, que estava sem sua armadura -“Saia da minha frente!”- disse ele, enquanto o Cavaleiro de Leão caía no chão.

Máscara da Morte, então, notou que Shaka havia sumido. Seus olhos procuravam o Cavaleiro de Virgem. Ele se sentia estranho, parecia que o mundo a sua volta estava se distorcendo e quando se deu conta, estava em pé, na palma da mão de uma estátua de Buda.

-“Você não é nada além de um mero macaco na mão de Buda, Máscara da Morte de Câncer. Esse é o seu fim. Renda-se agora e nunca mais retorne ao santuário, se não…”- Shaka fez um suave movimento com a mão.

Num piscar de olhos, o corpo de Máscara da Morte começou a se contorcer violentamente, como se fosse apenas um brinquedo nas mãos de uma criança raivosa. O Cavaleiro de Câncer gritava de agonia. Voltando a realidade, o Cavaleiro de Câncer cai de joelhos e vomita seu próprio sangue, ofegando. Ele vê que está em desvantagem, limpa o sangue de sua boca, e tenta fugir, arrancando em alta velocidade até a Sala do Mestre.
Aioria levanta-se e grita -“Vamos logo! Vamos detê-lo!”-

-“Deixe-o Aioria! Se nós formos enfrentar Saga agora, ele irá nos vencer! Eu ainda estou me recuperando das agulhas escarlates, e vocês também devem estar cansados.”- Disse Shaka.

-“E o que nós vamos fazer, Shaka?! Se ficarmos parados aqui ele também virá nos matar!”- Retrucou Aioria, furioso.

-“Não temos escolha…Iremos a Star Hill hoje mesmo. Agora.”- Disse Shaka.

-“Mas Shaka, seus ferimentos ainda não sararam…como pretende…”- Miro tentava amenizar a situação.

-“Basta, Miro. Temos que ir. Não há opção. Ou, você quer morrer tachado como um traidor, assim como Aioros? Mu, você e Aldebaran ficam no pé da colina para garantir que não seremos interrompidos. Não se esqueça de erguer a Muralha de Cristal, vamos!”-

Todos assentiram com a cabeça e partiram para a jornada.

Capítulo 6 – O Estopim da Guerra Dourada.

Máscara da Morte subia as escadarias do santuário, aos tropeços. O golpe de Shaka o causou bastante prejuízo. O Cavaleiro de Câncer entra na casa de Capricórnio e chama por seu cavaleiro.

-“SHURA!”-

O Cavaleiro de Capricórnio, Shura, volta sua atenção para Máscara da Morte e pergunta -“O que você faz aqui, em Capricórnio, Máscara da Morte? São sete da noite, não deveria estar fora de seu posto!”-

-“Temos um caso de traição Shura! Os Cavaleiros de Leão, Virgem, Escorpião, Áries e Touro estavam planejando trair o santuário esta tarde! Eu ouvi tudo! Eles querem assassinar o mestre!”- Disse Máscara da Morte, ofegando -“Eu os flagrei hoje, na estalagem do vilarejo, planejando trair o santuário…tentei impedi-los, mas, eles eram muitos, e o golpe de Shaka me causou muito prejuízo. Não restando escolha, tive que me retirar…”- completou ele.

Shura então pensa -“(Traição? Matar o Mestre? Isso só pode ser obra de…)”-

-“Aioros!”- Disse Máscara da Morte -“Supostamente o cosmo dele conseguiu se comunicar com eles, fazendo com que fossem facilmente ludibriados! Agora pretendem trair Atena!”- completou ele.

-“Traidor desgraçado…eu me arrependo de um dia tê-lo chamado de amigo. Temos que avisar os outros, antes que fiquem do lado desses miseráveis, vamos!”- Máscara da Morte observava intrigado. A frieza de Shura era impressionante. Era capaz de cortar quaisquer laços de amizade para atingir seu objetivo.

Enquanto Shura virava-se para ir até a casa de Aquário, O Cavaleiro de Câncer dá um sorriso maquiavélico de lado e diz -“Vamos erradicá-los, em nome de Atena”- e foi ao encalço de Shura, para alertar o restante dos cavaleiros.
* * *
Na Sala do Mestre, Saga encontrava-se extremamente perturbado. Estranhamente, era atormentado por sua própria voz ecoando em sua cabeça…

-“(Eles já sabem do seu plano, e irão a Star Hill para descobrir toda a verdade. Renda-se, você não ganhará mais nada com isso.)-”

Saga removeu a máscara de seu rosto e a quebrou em sua mão. Em seguida, removeu o capacete, e o jogou no chão, extremamente frustrado.

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-“Jamais serei vencido por apenas cinco cavaleiros de ouro! Principalmente liderados por um impertinente como Aioros! Nunca!”- Saga gritava e rasgava seu manto branco furioso.

-“(Você não sabe quem está enfrentando. Você está prestes a enfrentar o homem que conhece a essência das armaduras, o poderoso Touro Dourado, o Trovão Escarlate, O Leão Dourado furioso, e principalmente, o Homem mais próximo de Deus…)”-

Saga continuava sendo provocado por sua própria voz.

-“Homem mais próximo de Deus, é? É Shaka quem não sabe o que vai enfrentar! O que é o Homem mais próximo de Deus, contra a própria reencarnação de um Deus! Hihihihehehehahahaha!!”- Saga gargalhava freneticamente. Embora tentasse esconder, Saga estava desesperado. Um desespero tão profundo, que o levava a insanidade.
* * *
Shura, Máscara da Morte e os cavaleiros restantes dirigiam-se a Sala do Mestre. Camus e Afrodite estavam um tanto confusos com a situação. Mas, sabiam muito bem que qualquer indício de traição a vontade de Atena era inadmissível, e teriam que se manter imparciais diante disso.

Subindo as escadarias para a Sala do Mestre, os quatro cavaleiros ouviram um grito extremamente alto.

-“É o Mestre!”- Disse Shura, extremamente tenso.

-“Será que…eles chegaram até o Mestre?!”- Exclamou Afrodite, com os olhos esbugalhados.

Máscara da Morte gelou ao ouvir o grito, e pensou -“(Pelos deuses…Esse grito só pode ser de Saga! Mas o que o faria gritar tão alto? Eu preciso ver o que está acontecendo, agora!!)”- Máscara da Morte, arrancou em direção a Sala do Mestre, correndo o mais rápido possível, e gritou -“Venham logo! Algo horrível pode ter acontecido com o Mestre, e é nosso dever defendê-lo!!”-

Sem pensar duas vezes, os outros cavaleiros também arrancaram com tudo. Chegando a Sala do Mestre, Máscara da Morte chutou a porta de entrada e deu de cara com um sujeito caído no chão, e ao lado dele estavam o capacete, a máscara, e o manto do Grande Mestre, destruídos. O sujeito possuía longos cabelos acinzentados e trajava uma armadura dourada.

-“Mestre!”- Disse Shura, mas logo reconhecendo o sujeito -“Espere, você não é o mestre…suas feições são as de…Saga! Saga de Gêmeos! O que você faz aqui?! E onde está o Mestre?!”-

-“Eu…eu acabei de chegar de uma longa missão de reconhecimento…no entanto, quando entrei nesta sala para falar com o Mestre Ares, vi cinco cavaleiros de ouro o sequestrando. Acho…que eles o levarão para Star Hill!!”- Saga continuava com suas mentiras, e expressava um ligeiro desespero. No entanto, o disfarçava ao parecer que estava assustado.

-“(Há algo diferente nele…ele não é o mesmo de antes. Quando o vi pela última vez, há muito tempo, lembro-me que possuía longos cabelos azulados. E seus olhos, agora estão vermelhos, como se expressassem profundo ódio e mágoa. O cosmo que está emanando de seu corpo é vil e pérfido. Este homem não é Saga…)”- Camus começou a desconfiar de Saga, e também começou a duvidar ligeiramente da traição de Aioros.

-“O que estamos esperando? Vamos atrás dos traidores!”- Disse Shura, enquanto fazia um sinal para que Camus, Afrodite, Máscara da Morte e Saga o seguissem.

-“Podem ir na frente…”- Camus disse, em um tom baixo -“Preciso dar um recado a Saga, de preferência a sós.”-

Os outros olharam perplexos, mas Saga fez um sinal para que seguissem em frente. Shura, Máscara da Morte e Afrodite seguiram em frente, e as portas se fecharam.

-“O que quer, Camus?”- Disse ele enquanto circundava pelo salão, lentamente.

-“Já chega de joguinhos, Saga.”- disse Camus, de forma áspera -“Eu e você sabemos que tudo isso é uma farsa. Você mentiu sobre Aioros, sobre o Mestre Ares e continua mentindo, enganando os outros como se eles fossem marionetes em suas mãos.”- Camus olhava com uma expressão surpreendentemente fria para Saga.

-“Heh-heh…pelo visto não tem como esconder as coisas de você, Mago do Gelo. Você realmente não deixa nada passar.”- Disse Saga, em um tom irônico, procurando esconder seu desespero.

-“E não é só isso. Eu notei também que Máscara da Morte, todo esse tempo, sempre esteve enviando relatórios e agindo como o seu braço direito para tudo. Por acaso, ele é seu cúmplice, Saga?”- Camus também começou a circundar pelo salão.

-“Não vai adiantar nada esconder de você. Sim, eu ordenei que Shura matasse Aioros, eu matei o antigo Mestre, e eu tentei matar Atena. E o que você pretende fazer?”- Saga sorria enquanto falava.

-“Tenho pena de você, Saga. Você se encontra à beira do desespero. Achou que eu não notaria? Sua respiração está forte, e seus batimentos cardíacos estão aceleradíssimos. Vamos acabar logo com isso, sim?”- Camus colocou-se em posição de luta.

Saga ficava mais pálido a medida que Camus o provocava, mas em seguida, deu ma gargalhada e disse -“O que faz pensar que você pode lutar contra mim, Aquário?”-

-“Vejamos, Você está deplorável. Olhe pare você…não se encontra em condição alguma de lutar. Você está completamente abalado mentalmente, enquanto eu estou calmo como uma brisa. O seu “exército” composto por Shura, Afrodite e Máscara da Morte, está em menor número. Então eu lhe pergunto, Gêmeos: Onde está a minha desvantagem?”- Camus falava em um tom irônico e provocador.

Saga sentiu um frio intenso em seus pés, e subindo por suas canelas. O ar congelante de Camus aljofrava às pernas do Cavaleiro de Gêmeos.

-“Vou congelá-lo em um esquife de gelo por ora, e acabar com tudo isso. Todos saberão o que você fez, Saga. Eu farei questão de expulsá-lo deste santuário.”- Camus voltou-se para a porta de entrada da sala, enquanto o corpo de Saga congelava mais e mais.

Saga deu um sorriso sádico e gargalhou tão alto que ecoou por toda a sala. Camus voltou sua atenção para Saga enquanto o Cavaleiro de Gêmeos quebrava os grilhões de gelo em suas pernas sem o menor esforço -“Você não achou que esse truque barato iria me afetar, achou, Camus?”-

O Cavaleiro de Aquário espantou-se, e num piscar de olhos, Saga já se encontrava atrás de Camus. O Cavaleiro de Aquário virou-se para tentar um golpe no flanco, mas antes que pudesse executar o mesmo foi parado por um raio de energia em sua testa, vindo do dedo de Saga, enquanto o mesmo dizia:

-“Satã Imperial…”-

O raio de energia atravessou o crânio de Camus, mexendo com seus neurônios. O Cavaleiro de Aquário ficou extremamente pálido, com os olhos lúgubres, mirando Saga. No entanto, pareciam os olhos de um defunto mirando seu assassino. As íris de seus olhos estavam ganhando uma coloração avermelhada, e sua expressão facial estava extremamente mórbida.15

Saga abriu um largo sorriso. Diabólico para dizer o mínimo, e disse -“Hah hah ha! Você foi pego pelo meu golpe Satã Imperial, Aquário. Não vai sair do transe até que mate sua primeira vítima, Hihihihehehehahaha!”- Camus, curvou-se perante Saga, mantendo a expressão mórbida. Era como se Saga houvesse transformado Camus em um escravo flagelado. Tudo estava saindo como o planejado. Assim, Saga e Camus deixam a Sala do Mestre e vão em direção a Star Hill, para dar início a guerra dos cavaleiros de ouro.

Capítulo 7 – O Ouro Ensanguentado.

Mu e Aldebaran estavam de guarda, no pé do enorme monte, trajando suas respectivas armaduras. Shaka, Miro, e Aioria escalavam-o. Tão íngreme e perigoso, os três cavaleiros prescrutavam cada protuberância do monte para escalar. Algumas delas soltavam-se e caiam monte abaixo, dificultando o avanço dos cavaleiros. Miro e Aioria, eventualmente, desequilibravam-se, enquanto Shaka subia com extremo foco e perfeição, determinado a encontrar a verdade. Depois de muito esforço conseguiram chegar ao topo da colina. Shaka, por chegar primeiro, ajudou seus dois amigos a subir, puxando-os.

-“Finalmente, nós chegamos.”- Disse Aioria, suando e ofegando pela longa subida.

-“Vocês estão prontos?”- Perguntou Shaka, antes seguirem adiante.

Os três cavaleiros hesitaram por um momento, mas logo seguiram para a entrada da gruta de Star Hill.
Shaka, Miro e Aioria viram um brilho de tonalidade esverdeada no fundo da gruta, quando se aproximaram para identificar o

brilho, não acreditaram no que viram…

O estômago de Miro embrulhou, Aioria ficou paralisado, quase sem respirar, e Shaka finalmente, abriu seus olhos, boquiaberto com a cena. Vagarosa e desajeitadamente, os pés do Cavaleiro de Virgem se moveram quase por conta própria em direção àquele “brilho”.

O corpo do Mestre Ares jazia ali. Morto há pouco mais de sete anos, mas parecia que estava apenas dormindo. O corpo estava tão jovem e bem conservado, tão cheio de vida para estar morto. E o mais impressionante é que mesmo depois de morto, aquele corpo jovem emanava uma cosmo quente e puro. Os três cavaleiros, desataram a chorar.16

-“Todo esse tempo…Saga nos enganou…”- Disse Miro com uma voz trêmula e soluçante.

Eles choravam. Choravam pela humilhação que passaram, todos estes anos, obedecendo às ordens de um traidor que estava bem debaixo de seus narizes.

-“Passei todos estes sete anos sendo estigmatizado por todos como alguém digno de pena…por ser o irmão do traidor. Quando na verdade o verdadeiro traidor era…Saga. Como fui tolo! Eu odiei meu irmão, e reverenciei Saga! Eu nunca vou perdoá-lo!”- Aioria enxugou suas lágrimas e cerrou seus punhos dizendo -“Saga…seu desgraçado…”-
* * *
Eram por volta de sete e meia da noite. Shura e Máscara da Morte iam em direção a Star Hill.

-“(Por que Camus resolveu ficar? Será que ele descobriu os planos de Saga? Não…eu não acredito…)”- Máscara da Morte se perguntava enquanto corria ao lado do Cavaleiro de Capricórnio.

-“Lá estão eles!”- Gritou Shura, avistando Mu e Aldebaran de pé em frente ao monte Star Hill.
Máscara da Morte começou a correr mais rápido -“Saiam da frente, traidores!”- Erguendo a seu dedo indicador direito e apontando para o Cavaleiro de Áries e de Touro.

-“(O que há de errado com eles? Mesmo Máscara da Morte se colocando em posição de luta, eles não expressam nenhuma reação. A não ser que…)”- Shura havia se dado conta -“Espere! Não ataque Máscara da Morte!!”- Alertou ele.

-“Ondas do Inferno!!”- Gritou o Cavaleiro de Câncer disparando seu ataque.

No mesmo instante que Máscara da Morte disparou seu golpe, ele sentiu o impacto vindo contra ele mesmo. O Cavaleiro de Câncer voa com o impacto.

-“Não deixarei que vocês passem por aqui…a Muralha de Cristal é invisível ao olho humano, e jamais deixará com que vocês passem. Mesmo que tentem, irão apenas se machucar…”- Disse Mu, serenamente.

-“Desfaça-a, Mu! Ou eu irei matá-lo em nome de Atena com minha lâmina sagrada, Excalibur!”- Disse Shura erguendo seu braço direito.

-“Não vai adiantar nada, Shura! Desista!”- Exclamou Aldebaran.

-“Não vai…?”- Disse uma voz suave e melódica vindo de trás de Aldebaran e Mu.
Afrodite de Peixes havia contornado a Muralha de Cristal, sigilosamente. Já esperava que Mu a tivesse erguido, por isso resolveu não seguir Máscara da Morte e Shura. Ele segurava duas rosas, negras como a noite, e com espinhos tão afiados como piranhas.

-“Desfaça a muralha, Áries. Ou você e seu amigo morrerão com minhas Rosas Piranhas!”-

Mu ponderava um pouco -“Não a desfaça, Mu!”- Gritou Aldebaran.

No instante que Aldebaran proferiu estas palavras, uma das Rosas Piranhas de Afrodite passou de raspão por seu braço esquerdo, e abriu uma enorme ferida. Aldebaran grunhiu de dor, e se preparou para atacar o Cavaleiro de Peixes, no entanto, Afrodite apontou a outra rosa para ele, mirando seu peito. Aldebaran hesitou, e Mu, relutantemente, desfez a muralha.

Shura e Máscara da Morte arrancaram para escalar o monte. Afrodite guardou sua rosa e foi ao encalço dos outros cavaleiros, mas seu movimento foi detido por misteriosos fios cristalinos.

-“Você fica…”- Disse Mu, ameaçadoramente.

Afrodite tomba. Amarrado por fios praticamente invisíveis. Seus movimentos eram inúteis, não conseguia se soltar daqueles fios.

-“O que significa isso?!”- Vociferou o Cavaleiro de Peixes.

-“Isso se chama Rede de Cristal.”- Disse Mu, com a mais discreta sombra de um sorriso em seu rosto.

-“Afrodite!”- Grita Shura para o companheiro.

-“Não se preocupem comigo! Sigam adiante!”- Responde o Cavaleiro de Peixes.

Shura hesita por um momento enquanto Máscara da Morte encontra-se muito acima de Shura, e grita -“Shura, o que está esperando? Venha depressa!”-

Shura olha com pesar para o Cavaleiro de Peixes, amarrado, sem mover um músculo. Então, o Cavaleiro de Capricórnio balança a cabeça e abandona Afrodite, seguindo em frente ao encalço de Máscara da Morte.
Aldebaran tentou impedir, colocando-se na posição do Grande Chifre. No entanto, a dor de seu braço apenas triplicou…

Os Cavaleiros de Capricórnio e de Câncer chegaram ao topo do monte, e sem hesitar, entraram na gruta onde Shaka, Miro e Aioria se encontravam.

Os dois adentraram na gruta, e se depararam com uma cena que os deixou boquiabertos.

Shaka estava ajoelhado, com as duas mãos no corpo do Mestre Ares, enquanto Aioria e Miro estavam também ajoelhados, com seus olhos voltados para eles.

-“Vocês! Vocês assassinaram o Mestre! Já não são mais cavaleiros de ouro, são demônios! Esse é o pior crime que alguém pode cometer!!”- Vociferou Máscara da Morte, apontando para os três.

-“Não! Esperem! Nós podemos explicar! Não é o que vocês estão pensando…na verdade…Saga…!”- Miro não encontrava palavras para explicar aquela cena.

Shura ficou pasmo por alguns instantes, mas logo aquela expressão transformou-se em uma face cheia de ódio e fúria.

-“Shura…por favor…entenda que…”- Shaka tentou explicar, mas logo se convenceu de que Shura jamais entenderia. Afinal, ele foi o homem que matou Aioros.

O Cavaleiro de Capricórnio não disse uma palavra sequer. Apenas levantou seu braço direito, preparando seu golpe.

-“Você…o homem que assassinou meu irmão…eu jamais irei perdoá-lo!!”- Disse Aioria, extremamente furioso.

-“Naquela época eu estava obedecendo ordens. Mas agora eu farei isso com você por livre e espontânea vontade!!”- Shura lançou sua Excalibur na direção de Aioria.

O Cavaleiro de Leão desvia no último segundo possível, perdendo apenas parte da ombreira de sua armadura. Pedras começam a cair dentro da gruta. A Excalibur havia desestruturado o lugar. Aioria, furioso arranca na direção de Shura, e agarra o cavaleiro, tomando impulso e pulando com Shura do topo do monte. Os outros cavaleiros o seguiram enquanto a gruta entrava em colapso, desmoronando em cima do falecido Mestre Ares.

-“Você é louco?!”- Vociferou o Cavaleiro de Capricórnio enquanto caía junto de Aioria.

Lágrimas escapavam dos olhos do Cavaleiro de Leão na queda, tomado pelas lembranças da noite na qual Shura havia assassinado Aioros.

Ambos colidiram com o solo, com um impacto impressionante. Os dois levantaram praticamente ilesos pela proteção de suas armaduras.
-“Aioria, você sabe muito bem que se lutarmos aqui começaremos uma Guerra de Mil Dias!”- Alertou Shura, limpando a sujeira de sua armadura.

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-“Não, Capricórnio…não será uma Guerra de Mil Dias…”- Aioria cerrou seu punho direito, e o levantou -“…porque ela irá acabar agora!! Capsula do Poder!”- Um golpe na velocidade da luz. Shura sentiu o impacto de uma bala de canhão sendo atirada com força total contra ele.

O cavaleiro colide contra uma enorme rocha, limpa o sangue de sua boca e diz -“Pois bem, Leão. Você trai o santuário, assassina dezenas de soldados e três cavaleiros de prata, e depois o Mestre Ares, e eu é que sou o vilão?! E para piorar, vocês seguem as ordens de um traidor!”-

-“Meu irmão não era um traidor! E é você que está seguindo as ordens do verdadeiro traidor, que é Saga! Como pode obedece-lo? Como pode matar Aioros tão friamente? Vocês eram melhores amigos!”- Vociferou Aioria.

-“Você está louco…Aioros era meu melhor amigo, mas à partir do momento em que ele traiu Atena, ele não passava de um traidor…Eu matei Aioros, e o faria novamente se fosse necessário!”- Respondeu Shura, provocando Aioria.

-“Nunca…mais…profira o nome de meu irmão com essa boca imunda!!”- Berrou Aioria, cego pela raiva.

-“Já chega! Nem mais uma palavra! Hoje será o dia em que irei exterminar a sua linhagem de uma vez por todas, Leão!”- Em um piscar de olhos, Shura já se encontrava bem atrás de Aioria. Antes que o Cavaleiro de Leão pudesse reagir, Shura deu um pequeno salto, pondo seus pés debaixo dos braços de Aioria, em seguida, executou um sobressalto e gritou -“Salto de Pedra!!”- Jogando Aioria para os céus. O Cavaleiro de Leão atinge o solo com a cabeça, e fica imóvel.
* * *
Máscara da Morte conseguiu escapar de Shaka e Miro. Mas nem sinal de Saga. Ele se perguntava quando o Cavaleiro de Gêmeos iria entrar na batalha, pois já estavam em menor número. Aquela incerteza o deixava extremamente nervoso. Ele entrou na casa de Áries, convicto de que esta estaria vazia. No entanto, uma figura apareceu na frente do Cavaleiro de Câncer. Ele reconheceu imediatamente aqueles cabelos de tonalidade lilás, trajando a armadura de Áries, e o semblante com dois sinais circulares na testa.

-“Saia da frente, Mu! Agora!!”- Máscara da Morte vociferou, e levemente desviou o olhar procurando por Afrodite.

-“Desista Máscara da Morte. Aldebaran está prendendo Afrodite, você se perdeu de Shura…Saga está desesperado na Sala do Mestre. O que mais você pode fazer além de se render?”- Disse Mu, provocando-o.

-“Ha-ha! Você acha que pode acabar comigo? É melhor você parar se achar o máximo e bancar o valentão, porque você não pode me ven…”- Antes que pudesse terminar, Máscara da Morte sentiu um como se algo o empurrasse com muita força, e colidiu com o solo.

-“Telecinesia, hã? Pois bem, Cavaleiro de Áries, se é briga que você quer, é briga que você vai ter…”- O Cavaleiro de Câncer partiu para cima de Mu como um foguete, desferindo um soco cruzado na face do cavaleiro. Ele cuspiu sangue, mas antes que pudesse contra-atacar, o Cavaleiro de Áries foi atingido por uma joelhada bem aplicada em seu tronco.

Máscara da Morte estava pronto para aplicar um golpe mortal no pescoço de Mu, mas antes que pudesse atingir seu alvo, o Cavaleiro de Áries utilizou sua telecinesia para parar o golpe. Mu arremessou Máscara da Morte com força total, fazendo com que este colidisse com a parede da Casa de Áries.

-“Hora de acabar com isso Máscara da Morte. Eu sinto muito, mas sua existência neste mundo é imprópria! Você é cruel e sanguinário. Se diverte matando pessoas inocentes…eu irei acabar com tudo isso agora!”- O cosmo de Mu elevava-se infinitamente. Máscara da Morte implorou por misericórdia. Curiosamente, o Cavaleiro de Áries hesitava um pouco. Por algum motivo ele não queria ter que tirar a vida de Máscara da Morte daquele jeito. Por algum motivo, o jeito com que Máscara da Morte implorava por seu perdão o comovia.

Mu acaba pensando demais, e quando menos esperava, Máscara da Morte arrancou em sua direção, desferindo um murro titânico em sua face, desconcentrando o cavaleiro.

-“Você é um tolo, Mu. Se você fosse realmente forte, você teria me matado na hora. Mas, você não consegue fazer isso…você é fraco, justamente porque você não carrega o ódio. Você não é páreo para mim e agora pagará o preço de sua hesitação!!”- Máscara da Morte estava pronto para aplicar o golpe final em Mu, e transpassar seu coração.

-“Agulha Escarlate: Antares!!”-

18

Algo como um raio escarlate atravessou o plexo solar do Cavaleiro de Câncer. Máscara da Morte ficou paralizado, pálido, e com uma expressão de choque anormal. O cavaleiro tomba, inerte.
Capítulo 8 – Trovão Escarlate e Mago do Gelo, as Lágrimas Ardentes.

Miro estendeu sua mão para ajudar Mu a se levantar.

-“Tome conta de Máscara da Morte, eu irei deter Saga! Por favor, não interfira, Mu.”- Disse Miro.
Mu acenou com a cabeça, enquanto via o amigo subir as escadarias da casa de Áries para a casa de Touro.
* * *
Aioria estava inerte. Shura andou em direção ao Cavaleiro de Leão, pronto para aplicar-lhe o golpe de misericórdia.

-“Você matou o Mestre Ares, Aioria…a morte é muito pouco para você, portanto, sinta-se honrado por isso. Vai poder se juntar ao seu irmão miserável de uma vez por todas.”- O Cavaleiro de Capricórnio ergue seu braço direito, pronto para dar-lhe o devido fenecimento -“Morra, Leão!”- Gritou ele.

Subitamente, Aioria levanta-se quando Shura menos esperava. O Cavaleiro de Capricórnio não tinha tempo para reagir, e Aioria grita: -“Relâmpago de Plasma!”-

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Incontáveis feixes de luz atingem o corpo de Shura, cortando-o centenas, milhares de vezes por segundo. Como se estivesse sendo atingido por milhares de lâminas por segundo. A dor era insuportável. O Cavaleiro de Capricórnio voa com o impacto do ataque.

Aioria sentia a sua armadura pesar. Como se estivesse levantando uma armadura feita inteiramente de chumbo. Exaurido, o Cavaleiro de Leão cai ao solo, perdendo sua consciência.
* * *
Aldebaran estava sentado em uma rocha, tratando da ferida aberta em seu braço pela rosa de Afrodite. Sem que Aldebaran notasse, Afrodite tentava se soltar da Rede de Cristal de Mu. Ele tentava, sutilmente, usar os dentes da Rosa Piranha que não havia disparado para cortar os fios de cristal. Aldebaran encontrava-se completamente disperso. Não esperava que seu prisioneiro fosse tão perspicaz.

-“Hm, hm, hm, hm! Parece que você não esperava por isso, não é mesmo, Aldebaran?”- Afrodite conseguiu se soltar da Rede de Cristal, e agora, provocava o Cavaleiro de Touro.

Ao ouvir aquela voz, Aldebaran gelou. Ele virou seu rosto, mesmo que contra a sua vontade e viu Afrodite apontando uma rosa, branca como a neve, para seu peito.

-“É o fim, Cavaleiro de Touro. Seus atos de traição serão pagos aqui e agora.”- Afrodite lançou sua Rosa Sangrenta, sem hesitar, no peito de Aldebaran. O Cavaleiro de Touro urra de dor,e cai ao solo de joelhos.

-“Você morrerá lentamente. É, meu caro Aldebaran, este é o preço que você paga por seguir as más influências.”- Afrodite dá as costas ao Cavaleiro de Touro, e anda despreocupadamente.

Aldebaran sente-se frustrado. Até agora não houvera ajudado nenhum de seus companheiros. E pior…sentia-se culpado por fazer com que Mu desfizesse a Muralha de Cristal, e por ter deixado Afrodite escapar. O Cavaleiro de Touro ardia em fúria. Ninguém humilha o Aldebaran de Touro desse jeito e sai impune…

Aldebaran dá um grito de guerra e parte para cima do Cavaleiro de Peixes. Ele derruba Afrodite pelas costas com um pisão, deixando-o imóvel no solo.

-“Como pode…ainda ter forças para me atacar?!”- Diz Afrodite, enquanto era pressionado contra o solo pelo pé de Aldebaran.

O Cavaleiro de Touro agarra os dois pulsos de Afrodite com cada uma das mãos -“O quê…vai fazer?! Pare! Não!!”- e subitamente Aldebaran pressiona ainda mais o corpo Cavaleiro de Peixes enquanto puxa seus dois braços. Afrodite grita de dor, e sente os ossos de seu braço se quebrarem, um por um. Aldebaran arranca os dois pulsos do Cavaleiro de Peixes. O sangue jorrava sem parar, enquanto Afrodite ficava cada vez mais pálido, e de seu semblante, a vida se dissipava.

-“Shaka, Mu, Aioria, Miro, foi mal mesmo…pelo menos…eu dei um jeito…nesse bunda-mole…”- Aldebaran profere seu último gracejo, com seus olhos marejando em lágrimas, antes de cair ao solo, inerte, enquanto a rosa em seu peito tinge-se de vermelho por completo.
* * *
Miro atravessou a casa de Touro, e seguia direto para a casa de Gêmeos. Na entrada para a terceira casa zodiacal, havia uma pessoa à sua espera. Ele parou de correr imediatamente para identificar o indivíduo. Miro jamais confundiria aquelas feições.

Aquele sujeito era…

-“Camus! Que bom que está aqui!”- Miro estava feliz por reencontrar seu antigo amigo. Entretanto, ele estava diferente. Camus estava rígido, e seus olhos, lúgubres e vermelhos fitavam Miro friamente. Sentindo isso, o Cavaleiro de Escorpião logo afastou-se.

-“Camus…o quê houve com você…?”- Miro engoliu em seco.

Camus estava impassível, como se fosse pouco mais do que uma estátua animada, a não ser pelos olhos vermelhos, que ardiam em fúria. Sem articular uma palavra, Camus uniu suas duas mãos, e as ergueu, reunindo todo o seu cosmo para atacar Miro.

19

-“Você…pretende me atacar? Camus, nós somos amigos, não lembra?!”- O apelo de seu amigo de nada adiantava. O cosmo de Camus crescia cada vez mais e mais.

Finalmente, Camus proferiu suas primeiras palavras -“Miro, saia do meu caminho. Nós nunca fomos e nunca seremos amigos.Vou perfurá-lo com minha espada de gelo e romper todos os nossos laços.”- essas palavras atingiram Miro em seu âmago. Ele abaixou suas duas mãos, unidas na forma de uma concha, e gritou -“Execução Aurora!!”-

Uma rajada congelante foi disparada na direção do Cavaleiro de Escorpião. Ele simplesmente não conseguia se mover. Como poderia? Camus renunciou todos os seus laços de amizade e fraternidade com ele. A tristeza e a amargura congelaram os movimentos de Miro, fazendo com que fosse atingido em cheio pela Execução Aurora. O Cavaleiro de Escorpião atinge o solo, com algumas partes de sua armadura cobertas de gelo.

-“(Meu amigo está me atacando…será que ele está tão disposto a defender o santuário a ponto de cortar todos os nossos laços…? Pela primeira vez, eu sei o que Aioros sentiu com Shura…)”- Miro se levanta, tremendo de raiva -“Saga…você tirou Aioros de nós. Você nos manipulou por sete anos. Mas eu não vou deixar você voltar meu amigo contra mim! Você acaba de passar dos limites!!”- Miro se colocou em posição de combate -“Camus, divida seu sofrimento comigo. Eu sei que sua alma chora por dentro. Você não é assim!”-

Camus anda em direção a Miro, abre um sorriso maquiavélico, e parte para cima de Miro. Os dois trocavam punhos, olhando nos olhos um do outro a todo o tempo. Miro sempre soube que Camus era extremamente competente em combate. Quando ele tentava socar Camus, o punho nada atingia, e antes que pudesse se dar conta, Camus já atacava por sob suas defesas. Miro tinha que admitir, Camus não seria um oponente nada fácil.
* * *
Aioria havia recobrado a consciência, e notou que Shura ainda estava inconsciente. Ele procurava algum sinal de seus amigos, porém, não via Shaka, Miro, Mu, tampouco Aldebaran. Ele correu em direção às doze casas para tentar encontrar algum de seus amigos.

Enquanto corria para as doze casas Aioria viu uma cena aterradora. Afrodite estava caído, e tinha seu rosto mergulhado em uma enorme poça do próprio sangue. A mancha escarlate tingia seu cabelo, azul como o céu, embotando-o. Aldebaran encontrava-se inerte ao lado do cadáver do Cavaleiro de Peixes, também sem vida. Aioria ajoelhou-se e fechou os olhos do Cavaleiro de Touro, removendo sua capa e cobrindo seu corpo em um gesto de carinho ao falecido amigo. Á que ponto aquela batalha chegou?

-“Que Deus o tenha, bravo Cavaleiro de Touro…”- Disse ele, fechando seus olhos por um momento, e logo seguindo adiante para as doze casas.

Chegando lá, encontrou Mu, que estava de pé, em frente a casa de Áries. Ele fica feliz por finalmente ver um rosto amigo, e vivo.

-“Aioria! Que bom que está bem!”- Disse Mu, muito feliz por encontrar o amigo.

-“É muito bom vê-lo, Mu. Onde está Miro?”- Aioria mantinha a expressão de seriedade.

-“Ele foi tentar neutralizar Saga por conta própria…”- Responde Mu, um tanto culpado.

-“E por que você não foi atrás dele?”- Perguntou Aioria, mais ríspido do que pretendera.

-“Tive que cuidar de Máscara da Morte, e além do mais, ele disse que queria resolver isso sozinho.”- Respondeu o Cavaleiro de Áries.

-“Eu não acredito que você deu ouvidos a ele, Mu! Vamos! Temos que ajudá-lo! Saga é extremamente poderoso!”- Vociferou Aioria, pegando o Cavaleiro de Áries pelo pulso.
* * *
Shaka caminhava devagar pelo pátio do santuário. Onde os aspirantes a cavaleiros costumavam treinar. Àquela hora todos já estavam tendo seu descanso em seus lares.

-“Finalmente o encontrei, Cavaleiro de Virgem…”- Disse uma voz rouca, vindo de trás de Shaka.

Ele se virou para ficar face à face com o indivíduo, já estando certo de quem era…

-“Você…o homem responsável por aterrorizar todo o santuário…Saga de Gêmeos.”- Disse Shaka, entredentes.

-“E você é o homem que está começando a frustrar meus planos…Shaka de Virgem.”- Retrucou Saga, ironicamente.

-“Você me enoja, Saga. Você assassinou o antigo Mestre, deixou seu corpo em Star Hill, em seguida assassina o Cavaleiro de Sagitário, e mente sobre sua morte, manipulando todos os cavaleiros de ouro e todo o povo do santuário ao seu bel-prazer. Eu mal consigo olhar para você, Saga!”- Shaka desabafava todos os seus sentimentos. Mas sabia que não poderia ser guiado por eles, então logo se recompôs.

Saga riu das palavras de Shaka e disse -“Eu não tenho mais nenhum interesse nesse povo medíocre desse santuário. Quando eu dominar a terra, os mares e até o Mundo dos Mortos ninguém jamais irá me deter.”-

-“Sabe, Saga…você jamais chegará aos pés das pessoas deste santuário…”- Shaka disse, serenamente.

-“O quê disse?”-

-“Você me ouviu bem, Saga. Você jamais chegará aos pés delas, justamente porque são pessoas de bem, que vivem um dia de cada vez. Sem se preocupar em ter poder, muito menos pisar em cima dos outros para consegui-lo. Você jamais será um décimo do que elas são…”- As palavras do Cavaleiro de Virgem atingiam Saga em seu âmago.

-“Shaka, não diga asneiras! Eu sou o cavaleiro mais poderoso deste santuário! Se eu quisesse, eu dizimava esse povo em um instante!!”- Saga aumentou seu tom, irritando-se.

-“A questão não é essa. Não importa se você é o mais poderoso. Todas as pessoas desse santuário, assim como os cavaleiros de ouro que você manipulou tem qualidades únicas que você não possui: Humildade, lealdade, compaixão, e principalmente, dignidade. O seu erro é o de não saber apreciar e se contentar com as menores coisas que a vida nos dispõe, e por isso, você não chega aos pés deles. Em outras palavras, Gêmeos, você é a escória…”- As palavras de Shaka estilhaçaram completamente o orgulho do Cavaleiro de Gêmeos.

-“Já chega! Eu não irei ouvir mais nenhuma de suas asneiras! Chegou a hora de saber qual de nós é o mais forte: O Homem mais próximo de Deus, ou a própria Reencarnação de um Deus?!”- Saga gritava, cego pela raiva e pela vaidade, e se preparando para a luta decisiva.

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-“Eu darei a minha vida para destruí-lo Saga, esteja certo disto!”- Shaka se posicionou para o combate.
O confronto final estava para eclodir…
Capítulo 9 – Virgem VS Gêmeos, o Fim da Era Dourada.

Máscara da Morte recuperava-se lentamente do ferimento da Agulha de Antares. Ele rastejava pelo chão, com sua mão direita no lugar da ferida, visando diminuir o sangramento. Ele ouve passos da entrada da casa de Áries. Ele vira-se para identificar o barulho e vê um homem de pé, trajando uma armadura de Capricórnio consideravelmente danificada.

-“O que você faz se arrastando no chão, seu incompetente? Levante-se! Miro não pode tê-lo ferido tão gravemente!”- Vociferou Shura.

Máscara da Morte levantou-se com dificuldade, ainda com a mão em seu ferimento. Não estava doendo tanto, porém, não parava de sangrar.

Shura, então, introduz seu dedo no centro do peito do Cavaleiro de Câncer, visando estancar o sangramento.
O sangramento foi interrompido, e os dois sobem as escadarias da casa de Áries para a casa de Touro, com o intúito de alcançar os outros cavaleiros.
* * *

Shaka e Saga estudam-se por alguns instantes. O silêncio toma conta do campo de batalha, por ora.

O silêncio é rompido pelo som de botas metálicas correndo, tilintando e colidindo com o solo, uma em direção a outra.

Saga e Shaka trocam punhos e prendem-se um ao outro. Eles se encaravam. Saga desfere uma potente joelhada no tronco de Shaka, em seguida, desfere um chute imponente na face do Cavaleiro de Virgem, afastando-o com o impacto. Saga dispara como um míssil preparando um potente soco. Segundos antes do punho atingir seu alvo, Shaka aproxima suas duas mãos e grita -“Khan!”- e uma barreira cósmica envolve o Cavaleiro de Virgem, protegendo-o do soco devastador do Cavaleiro de Gêmeos.

-“Ohm!”- Shaka acumula seu cosmo elevando-se de forma espantosa e em seguida, abre seus olhos e grita: -” Rendição Divina!!”-

Um golpe devastador. Saga sentiu o impacto de dez bombas atômicas explodindo contra ele. O golpe destruiu todo o pátio do santuário.

Os moradores começaram a evacuar o vilarejo, em pânico com a luta aterradora dos dois cavaleiros de ouro. Saga, inacreditavelmente, levantava-se como se houvesse sofrido apenas um arranhão. Ele, rápidamente tira a sujeira de sua armadura e parte para cima do Cavaleiro de Virgem, inabalável. Ambos começam a disparar impactantes socos hipersônicos um no outro, deixando a disputa cada vez mais acirrada.
* * *
Miro e Camus travavam uma intensa batalha. De um lado, estava o ar congelante, do outro, estavam os raios escarlates. A destruição tomava conta da Casa de Gêmeos.

21
-“Lá estão eles!”- Disse uma voz familiar da entrada da Casa de Gêmeos.

Aioria e Mu haviam chegado para auxiliar Miro na batalha.
Miro toma distância de seu adversário, e logo levanta a mão para seus dois amigos, fazendo o sinal para que parassem.

-“Aioria, Mu, por favor. Esta luta é minha…”-

Os dois deram dois passos para trás, e, relutantemente, assentiram com a cabeça.

Ouviam-se passos vindos das escadarias da casa de Touro para a casa de Gêmeos. Súbitamente, dois cavaleiros de ouro surgiram na entrada da terceira casa zodiacal.

-“Shura e Máscara da Morte…”- Rosnou Mu, fitando os dois cavaleiros.

-“Não pensem que se livraram de nós…”- Disse Máscara da Morte, com um sorriso de lado estampado no rosto.

-“Ainda temos uma carta na manga…”- Completou Shura.

Após Shura ter dito isso, Camus cessou seu ataque a Miro, e tomou distância, juntando-se aos Cavaleiros de Capricórnio e de Câncer.

Máscara da Morte colocou-se no meio deo trio, ajoelhando-se e pondo suas duas mãos para frente, no formato de uma “concha aberta”. Shura se encontrava do lado direito, com sua mão esquerda para frente e sua mão direita ao lado de seu rosto, enquanto Camus encontrava-se do lado esquerdo, espelhando a posição de Shura.

-“Não…eu não acredito que vocês vão…?!”- Mu espantou-se com aquela formação.

-“Vocês enlouqueceram! Pretendem destruir todo o santuário?! Esta técnica é proibída desde as eras mitológicas!”- Vociferou Aioria, ainda não acreditando naquilo.

-“Já ouviram falar que a melhor defesa é o ataque?”- Sugeriu Miro, indiretamente.

-“Você não está pensando em…”- Iniciou Aioria.

-“Tem alguma idéia melhor?”- Retrucou Miro.

Mu e Aioria assentiram, confiando um no outro, e fazendo a mesma formação que os outros três cavaleiros.
Os seis cavaleiros elevaram seu cosmo infinitamente. Seus sétimos sentidos fervilhavam sem parar, quando enfim, desencadearam o poder proibido.

-“EXCLAMAÇÃO DE ATENA!!”- Disseram os seis juntos.

22
* * *

Saga e Shaka começavam a ficar exaustos com a árdua batalha que travavam. De repente, Shaka ouve o som de uma explosão vindo das doze casas. Ele volta a sua atenção para o barulho, e vê apenas um clarão consumindo todas as casas zodiacais…

Um menino via aquela destruição com seus próprios olhos, boquiaberto –

-“Os cavaleiros de ouro deveriam proteger o santuário, não destruí-lo!”- Disse o menino, aos prantos.

Uma jovem mulher o agarrou pelo pulso -“Seiya, vamos! Eu não posso deixá-lo aqui, você me ouviu?! Não posso!”- Marin berrava em meio ao som da explosão para que o pequeno Seiya pudesse ouvi-la. Os dois evacuaram o vilarejo junto com os outros moradores.

Shaka sentiu como se seu coração despedaçasse ao ver aquela cena e ouvir as palavras de Seiya.

-“Heh-heh…então eles usaram o golpe proibído. Veja só que belo espetáculo, Shaka!”-
De todos os cavaleiros de ouro, sem dúvida, Shaka de Virgem estava entre os mais pacíficos. Custava a se enfurecer e perdoava facilmente. Mas quando Shaka tinha motivos para se irritar e se enfurecer, ninguém se atreveria em ficar em seu caminho.

-“Você se aproveitou da boa fé deles. Eles morreram por você! Mu, Miro e Aioria se sacrificaram tentando abrir seus olhos, e ainda assim você os descarta como se não fossem nada?!”- Shaka estava indignado, completamente enfurecido.

-“Você já me irritou o bastante! Já que gosta tanto dos seus amiguinhos, eu irei mandá-lo ao inferno para que possa se juntar a eles!! Hihihihehehehahaha!”- Gritou Saga, aproximando suas duas mãos para executar seu golpe mais poderoso.

Entre as duas mãos do Cavaleiro de Gêmeos, estava uma esfera de cosmo. Saga elevou seu cosmo ao máximo e a atirou com força total na direção de Shaka, com a força de mil sóis.

Antes que a esfera atingisse Shaka, ele gritou -“Khan!”- mas de nada adiantou. A esfera quebrou a barreira cósmica como se fosse apenas fibra de vidro. O Cavaleiro de Virgem foi atingido com o impacto de uma Super Nova.

-“Explosão Galática!!”- Gritou Saga, enquanto o golpe atingia Shaka.

O santuário inteiro foi destruído. O impacto danificou parte da armadura de Shaka, e o mandou pelos ares. O Cavaleiro de Virgem caía ao solo completamente imóvel.

* * *

Nas ruinas do que um dia fora um santuário, Camus rastejava até onde estava o cadáver de Miro. Ele nem ao certo sabia o que acontecera ali, mas o sentimento de culpa, por algum motivo, tomava conta dele. Ele segura a mão do falecido amigo, e balbucia:

-“Me perdoe, Miro…Saga…pagará…pelo que fez…”- Ele olha para o céu estrelado, com uma lua minguante -“Por favor…derrote-o…Shaka…”- Disse ele, enquanto ainda dava seu último suspiro.

Aioria levantou-se, e andou, vacilante, apoiando-se nas paredes, visando ir até onde o povo do vilarejo se encontrava. Só assim, ele poderia completar sua missão. A missão que seu irmão lhe falara quando criança.
* * *
Saga andava em direção a Shaka, que se encontrava completamente inerte, caído ao solo.

-“Tenho que admitir Shaka, você me deu bastante trabalho. Nunca pensei que teria de revelar a minha Explosão Galática agora…ao menos, você morrerá com honra.”- Saga preparava-se para transpassar o coração de Shaka e acabar com a luta de uma vez por todas.

Subitamente, o corpo de Shaka desapareceu de onde estava, e Saga sentiu como se o espaço ao seu redor estivesse se distorcendo até se transformar completamente em um mosaico budista. Saga, por mais que tentasse, não conseguia se mover. E logo notou, que Shaka estava bem atrás dele, com a palma de sua mão levantada.

-“Sua arrogância comprometeu a sua vitória, Saga. Agora, você está acabado!”- Shaka executou bruscos movimentos com a palma de sua mão -“Este é o Tesouro do Céu!”-

O corpo de Saga contorcia-se de forma extremamente brutal. A dor de seus ossos e músculos contorcendo, entortando, quebrando, era insuportável. Pouco a pouco, a visão de Saga ficava turva, ao ponto de não conseguir enxergar um palmo à sua frente. Logo em seguida, suas orelhas nada ouviam, e já não mais sentia a dor do golpe de Shaka. Seus cinco sentidos estavam sendo suprimidos.

Shaka cessa seu golpe, fazendo com que o Cavaleiro de Gêmeos caísse ao solo, agonizando. O sentido da audição de Saga voltava gradativamente.

-“Saga…eu e você sabemos que se continuarmos a lutar, nós vamos comprometer a vida de inocentes, e nenhum de nós jamais sairá vencedor. Portanto vamos dar um fim nisso de uma vez.”- Shaka agarra Saga pelas costas, imobilizando o Cavaleiro de Gêmeos -“Saga, eu sei que você possuía um coração justo e bondoso. No entanto, o seu lado mal tomou posse de seu corpo, e eu não posso deixar que mais sangue seja derramado e que mais vidas sejam ceifadas…”-

Shaka toma impulso, e finalmente, os dois cavaleiros de ouro ascendem aos céus juntos, afastando-se milhões, bilhões de quilômetros da Terra. Shaka aumenta a velocidade até saírem da atmosfera terrestre.

Enquanto ascendem aos céus, os cabelos do Cavaleiro de Gêmeos, antes cinzentos como a tempestade, tornavam-se azuis como o mar, e seus olhos avermelhados, repletos de fúria, tornavam-se azuis repletos de ternura. Apenas três palavras escaparam dos lábios do Cavaleiro de Gêmeos enquanto, ambos os cavaleiros se transformavam em uma estrela cadente.

-“Muito obrigado, Shaka…”-

O Cavaleiro de Virgem sorri, e uma lágrima escapa de seus olhos.

Epílogo – O Legado Dourado.

Seiya não conseguia entender…por quê? Por que os cavaleiros de ouro tinham que brigar desse jeito? Por um momento, ele perdeu a vontade de treinar para se tornar um cavaleiro de bronze.

Ao horizonte, era possível ver um jovem, moribundo, caminhando titubeante, com sua armadura dourada caindo aos pedaços.
Aioria tinha seu rosto ensanguentado, e uma expressão facial de pura mágoa e melancolia. Seiya corre até o jovem cavaleiro de Leão, e Aioria, ajoelha, para alisar seus cabelos.

-“Seiya…um dia, sua vez também chegará. Chegará o dia em que você sacrificará seu corpo e alma para atingir seu objetivo…”- Disse Aioria, com uma voz suave e rouca, repetindo as palavras de seu irmão, que um dia já foram ditas a ele.

Ele puxa um pingente que estava por debaixo de sua armadura, o remove de seu pescoço, e o entrega ao jovem Seiya dizendo -“O legado de Sagitário está em suas mãos…”-

Os olhos de Seiya marejam em lágrimas e Aioria sorri para o garoto, caindo ao solo logo em seguida. Marin tentava, inutilmente, reanimar o Leão caído…

* * *

Eram três e meia da manhã no Japão. Mitsumasa Kido, estava na varanda de sua mansão, observando o céu estrelado. Uma menina de cabelos púrpuras surgiu ao lado dele.

-“Saori? O quê houve? Não consegue dormir?”- Perguntou o senhor.

-“Eu tive um sonho estranho vovô. Sonhei com homens que vestiam estranhas roupas douradas, e do nada, todos eles se curvaram na minha frente. O que isso quer dizer?”- Perguntou a pequena Saori.

Neste mesmo instante, uma estrela cadente cruza o céu. No entanto, ela ia em direção aos céus, ao invés de descer à Terra.

-“Você viu vovô?! Uma estrela cadente!”- A menina fez uma pausa -“Estranho…as estrelas cadentes deveriam descer, mas esta estava subindo, não notou? O que será que significa?”- Indagou a menina.

Os olhos do senhor Kido encheram-se de lágrimas e ele disse apenas uma coisa à menina:

-“Vá para a cama, Saori. Você deve dormir…”-

Grand Finale
Por João Gabriel Freire.
Muito obrigado por ler!!

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