Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald soma vários talentos

Dois, três, cinco. O mundo mágico de J.K. Rowling multiplica-se em séries de filmes – o mais recente, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, chegou aos cinemas na quinta-feira (15).

Harry Potter terminou com sete, que viraram oito quando o episódio final, As Relíquias da Morte, foi desdobrado em dois. Newt Scamander e Os Animais Fantásticos provocaram polêmica quanto aos números necessários para contar a história, até que a empresa produtora e distribuidora Warner e a autora fecharam em cinco. Teremos, portanto, mais três filmes da série com Eddie Redmayne, somando para 13 a série toda.

O supervilão, Grindelwald, interpretado por Johnny Depp, vem do primeiro filme e o segundo amplia agora sua participação. Chama-se, não por acaso, Os Crimes de Grindelwald, mas os animais fantásticos continuam presentes. Um deles rouba a cena – Zouwu, fascinado por aquele chocalho.

Como toda a nova saga é anterior a Harry Potter, a grande novidade de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é a participação de Jude Law, como o jovem Alvo Dumbledore. Aurores do Ministério da Magia visitam Hogwarts, onde Alvo integra a equipe de professores. Colocam-no sob suspeita.

Jude Law, que já foi o homem mais sexy do mundo da revista People (mais de uma vez), adorou fazer o papel. “Primeiro de tudo, foi uma ótima oportunidade para rever todos os filmes, o que foi bem divertido”, diz o ator no material que a Warner distribuiu à imprensa.

Isso significou rever principalmente as performances de Richard Harris, que ao morrer foi substituído por Michael Gambon. Ambos criaram o Dumbledore mais velho. “Queria investigar se havia algo que pudesse tirar deles, mesmo sabendo que não estava criando o mesmo Dumbledore. Estava criando o homem que se transformaria naquele Dumbledore.”

Polêmicas não faltaram durante a realização, quando eclodiram, no #MeToo, protestos de mulheres contra a escalação de Johnny Depp para o papel do vilão, mas o ator foi bancado pela própria Rowling, e aí não tem diálogo. Ela quer, ela tem. Rowling virou um fenômeno no mundo editorial contemporâneo quando sua série sobre Harry Potter vendeu 400 milhões de exemplares em todo o mundo. É livro que não acaba mais, talvez somente Agatha Christie, a Bíblia e aquele tal de William Shakespeare possam ser comparados a ela em magnitude.

E, claro, J.K. ainda conseguiu vantagens suplementares na venda dos direitos para o cinema, assumindo o papel de produtora. Considerando-se o seu grau de controle artístico, fica difícil dimensionar o aporte do diretor David Yates, mas é impossível subestimá-lo.

Imelda Staunton, que integrou os elencos de Mike Leigh e Ang Lee, disse ao repórter, certa vez, em Cannes, que Yates é o maior diretor com quem trabalhou. “Um gênio.” Na trama de Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald, ele se converte na maior ameaça ao convívio pacífico entre magos e humanos, ou entre bruxos e otários (os sem-magia).

Mas Grindelwald não quer eliminar todos os otários. Cinicamente, diz que sempre serão necessários – ‘como lacaios, numa posição subalterna’. Convertido em ‘mito’ aos olhos de seus seguidores, Grindelwald os reúne num anfiteatro e usa seu poder para prever o futuro.

Grindelwald projeta o futuro. O mundo dos humanos é pura destruição, e marcha para uma nova grande guerra, a 2.ª. Contra isso ele se insurge e propõe, com seu poder, o confinamento e até a extinção (parcial) dos otários. Newt, (Porpen)Tina, Dumbledore e o Ministério da Magia, incluindo o irmão de Newt, Theseus, unem-se para enfrentá-lo.

Veja também:  Quem é Shang-Chi, o grande mestre de kung fu da Marvel

Em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, Credence Barebone, do Circo Arcanus – Museu de Human Oddities (Esquisitices Humanas), está vivo e tentando decifrar o segredo da sua origem. Grindelwald o atrai para o seu lado, mas ele próprio guarda um segredo que diz respeito a Dumbledore.

No começo, na primeira meia hora, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald pode causar certo estranhamento. Parece lento, com cenas estiradas para incluir os efeitos. Tudo aquilo poderia ser contado em cinco, dez minutos, mas aí se perderia a mágica, a ‘aura’. É o que faz o mistério – a graça – da série toda, de Harry Potter e sua prequel, Animais Fantásticos, aos olhos dos seguidores.

David Yates sabe disso. Ele domina o tempo, e os efeitos. Possui atores excepcionais, e não apenas Redmayne e Jude Law, que estão geniais, mas você não os verá no próximo Oscar. Pior para a Academia, que mantém seu preconceito contra os blockbusters que alimentam a indústria.

De repente, no terço final, tudo se conecta e o relato atinge proporções épicas, grandiosas, sem deixar de tocar nas questões humanas.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald tomou de assalto as salas de todo o País. São 1.461 salas de 657 cinemas – não haverá um shopping do País que não abrigará a nova aventura de Newt Scamander. A expectativa da Warner é de que supere os 4,3 milhões de espectadores do filme anterior no Brasil.

Eddie Redmayne confirma que Animais Fantásticos passará pelo Brasil


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