Colonialismo, política e mudanças: o significado do final de Pantera Negra

Pantera Negra mal estreou nos cinemas, mas já é bastante elogiado pelos fãs e crítica e está quebrando diversos recordes. Muitos acreditam que a razão por trás desse sucesso é o seu marco cultural, que é bastante impactante, já que é um filme marcado por ter um elenco composto por muitos atores negros, respeito as tradições africana e por abordar questões consideradas delicadas no mundo real.

E, claro, todos esses aspectos possuem certo impacto no final do filme e devem refletir não apenas no futuro do herói, mas também no decorrer do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM).

Entenda mais a respeito do final de Pantera Negra abaixo (Se você ainda não assistiu ao filme e não quer saber de spoilers, encerre sua leitura aqui):

Pantera Negra discute a questão do colonialismo

Conforme dito na introdução, já se discute o fato de que Pantera Negra é um filme que se tornou um marco cultural. É o primeiro filme estrelado por um super-herói negro em uma década, e foi o título do gênero que mais absorveu a cultura africana em sua história. Mas essa questão marcante e revolucionária também aborda uma outro problema. Em seus momentos iniciais, Pantera Negra fala a respeito do colonialismo, o efeito que teve na África e como que a cultura moderna pode deixar para trás esse passado problemático.

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Tradicionalmente, o mundo moderno tem um pouco de dificuldades em reconhecer o lado imoral do colonialismo, já que de certa forma, ainda é um problema na vida de muitos países africanos. Só que Pantera Negra não teve medo em confrontar esse assunto, ao mostrar Erik Killmonger (Michael B. Jordan) reclamando e questionando artefatos roubados, que estavam em exibição em um museu britânico.

O colonialismo, ou a sua ausênica, é algo muito integrado em Wakanda. O país governado pelo Pantera Negra é a ideia de como poderia ser uma África que não foi colonizada pelos europeus. Esse é um aspecto fundamental daquilo que podemos chamar de “afro-futurismo”, uma ideia que é amplamente explorada dentro do longa, mas que não deixa de ser uma forma de experimento: se a África não tivesse sido colonizada, como ela se integraria ao mundo moderno? Ela se esconderia, atacaria ou se juntaria aos demais países do globo?

E esse debate é personificado nos personagens do filme: os antigos governantes de Wakanda, desde que o primeiro Pantera Negra uniu as tribos da nação, decidiram isolar o país do resto do mundo, em uma mistura de preservação própria e medo sobre o que poderia acontecer se falassem a verdade. É justamente o oposto do que Killmonger pensa. Se já não bastasse ter crescido nos Estados Unidos, ele vê toda a força que Wakanda tem e deseja acabar com quem colonizou o continente.

E T’Challa se encontra no meio do muro. Ele não é capaz de aceitar o que seus ancestrais pensavam, mas não hesitou em interromper o ataque e os planos erráticos de Killmonger. E conforme Erik ascendeu ao torno, após aparentemente matar o Pantera Negra e enviar naves para iniciar uma guerra contra o mundo, esse conflito temático entra em jogo e reflete no final do filme.

T’Challa revoluciona Wakanda para salvar Wakanda

Apesar de ser um filme solo de super-herói, T’Challa não é o único foco de Pantera Negra. Diferente de outras estreias do UCM, ele já é introduzido no longa bem formado como um herói cheio de habilidades. Em Capitão América: Guerra Civil, foi inteligente ao salvar o homem que matou o próprio pai, mas mostrou ter seus conflitos internos após assumir o trono. E por falar em Wakanda, o título também tem como foco a própria nação africana.

Por exemplo, T’Challa pode ser a principal figura do país, mas ele tem a poderosa Dora Milaje do seu lado (e suas guerreiras até se tornaram as protagonistas após a suposta morte do herói no segundo ato do filme).

A jornada de T’Challa pode ser algo pessoal, mas é também relevante para o seu país e até mesmo para a questão colonialista. Ele não sabe como pode honrar seus antepassados e entra em combate com Killmonger, dois lados que pensam diferente com relação a aproximação com o resto do mundo. E no final, ele opta por não seguir nem o tradicional ou o radical, se leva por sua compaixão e decide revelar os segredos de Wakanda para o mundo. No fim, conseguiu encontrar um balanço para a questão do colonialismo.

No final do filme, ele retorna para o trono como um novo líder, que ainda quer preservar suas raízes, mas que não tem mais medo de seguir em frente. E se levarmos em conta o contexto da mitologia, pode significar algo a mais. Como Killmonger destruiu as Ervas de Coração (e T’Challa bebeu a última que Nakia conseguiu salvar), podemos imaginar que ele deve ser o último Pantera Negra e deve iniciar uma nova geração.

A morte de Killmonger mudou T’Challa

Killmonger é uma figura trágica. Ele cresceu na cidade de Oakland, e após seu pai ser morto por T’Chaka, foi abandonado apenas para Wakanda continuar a guardar seu segredo. Ele teve de viver sozinho em um mundo real que tem diversos problemas, enquanto sabia de tudo que o seu país natal representava. A partir desse cenário, seu desejo de vingança através da guerra fica claro: ele não pertence nem a Wakanda ou aos Estados Unidos, mesmo que não seja culpa sua, e deseja encontrar um equilíbrio. A Marvel sempre teve de lidar com críticas de que seus vilões, em sua maioria, são fracos e um pouco vazios. Mas dessa vez, construiu um antagonista que lembra alguns problemas do mundo real, o que até fez algumas pessoas simpatizarem por sua causa e compreenderem suas razões.

A questão é que seus métodos são falhos e erráticos, o que fez T’Challa ter de enfrentar o próprio primo. E de fato, a raiva de Erik e sua falta de consenso acabaram resultando em sua derrota nas mãos do Pantera Negra. E se existe um lado irônico nessa história, vale lembrar que W’Kabi e a Dora Milaje se entenderam por conta do amor e respeito que já haviam construído, e que T’Challa derrotou Erik, nas minas de Vibranium, ao utilizar sua inteligência e esperteza.

Veja também:  Mesmo elenco, história diferente: o que esperar de Pantera Negra 2

Mas o ponto crucial dessa história é que o herói permite que Killmonger acabe falecendo. E essa é uma reviravolta em seu código moral. A morte do vilão é algo que o rei causou, mas contradiz sua ética. E é uma decisão não tomada apenas pelo lógica, mas sim por compreender todos os motivos e problemas que Erik viveu. Foi o suficiente para fazer T’Challa perceber que precisava colocar Wakanda no mapa.

Por fim, muitos fãs questionam se Erik realmente morreu. Por mais que revelasse seu desejo em partir do que ficar preso, ficamos em dúvida, já que a cena de sua morte ficou ambígua, já que a cena é rapidamente cortada. É possível imaginar que T’Challa logo levou seu corpo para ser tratado com a medicina avançada do local. Será que ele ainda pode aparecer em Pantera Negra 2?

A cena de meio de créditos fez Wakanda sair de suas sombras

As cenas finais de Pantera Negra também são reveladoras. Ele visita o local em que Erik cresceu e onde seu pai matou seu tio, e diz que construirá um centro de ajuda de Wakanda no local, como forma de iniciar a abertura do país. É um momento em que o Rei acabou honrando os desejos de Killmonger, também como forma de corrigir os erros cometidos contra seu primo.

Já a cena de meio de créditos leva o negócio a um estágio global, já que T’Challa decidiu revelar a verdade sobre Wakanda para a ONU, abandonando a política isolacionista da nação. Essas duas cenas fecham o lado cultural do filme de uma maneira bacana, ao retratar fielmente as comunidades negras e a cultura africana e mostrar uma tolerância que serve de exemplo para o atual cenário do mundo real (muitos afirmam que o discurso de T’Challa na ONU seria uma cutucada ao presidente dos EUA, Donald Trump).

Além de ser algo muito simbólico a Wakanda, também é uma conclusão dos conflitos pessoais que T’Challa precisou encarar durante o filme.

E o futuro do UCM?

Pantera Negra é o filme solo mais “separado” do UCM desde Homem-Formiga, de 2015. Por mais que tenha Ulysses Klaue e Everett Ross (e a retomada da morte de T’Chaka em Capitão América: Guerra Civil), ele consegue se sustentar por conta própria, mas também tem implicações para o futuro da franquia.

Para os termos de Vingadores: Guerra Infinita, próximo lançamento do UCM, foi importante para introduzir Wakanda, pois já sabemos que Thanos lutará contra os heróis no local. Pantera Negra não revelou a localização da Joia da Alma e não mostrou pontos fundamentais do enredo do filme da equipe (excluindo uma das cenas pós-créditos). Mas também não tenta criar um cenário para Pantera Negra 2, o que deixa em aberto um enorme leque de possibilidades.

Veja também:  Crítica: visuais, enredo e elenco fazem de Pantera Negra um ótimo filme

O filme também é relevante ao introduzir alguns aspectos dentro da franquia. O Pantera Negra é uma figura importante para Vingadores: Guerra Infinita, e podemos apostar que o contrato de Chadwick Boseman já foi extendido para além de Pantera Negra 2. Shuri também foi bastante elogiada e já foi dito que ela pode ter alguma importância para o UCM. São exemplos de como que os personagens do longa podem ser importantes para a franquia.

Só que o mais importante é que agora, Wakanda se revelará para o mundo e deve se tornar um dos centros das atenções. E é algo que deve mudar muita coisa. Por exemplo, Shuri agora poderá ajudar a desenvolver novas tecnologias para ajudar os Vingadores no futuro

A segunda cena pós-créditos

Por fim, falaremos da parte mais desconexa de Pantera Negra, que é a segunda cena pós-créditos. Bucky Barnes foi visto pela última vez em Capitão América: Guerra Civil e foi colocado em um sono profundo por T’Challa para curar sua lavagem cerebral. Após sair de uma cabana, Bucky parece estar se recuperando bem, e apesar de Shuri afirmar que ele ainda tem muito o que fazer, parece que estará totalmente curado assim que se juntar ao seu grande amigo Capitão América.

É algo clássico que a Marvel já aprendeu a fazer: colocar aspectos do UCM em seus filmes para os próximos, por mais que o longa se sustente sozinho. Com certeza, essa cena deve ter algo a mais, mas teremos de esperar o lançamento de Vingadores: Guerra Infinita para descobrir mais detalhes.

Fonte: Screen Rant

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