Comic Con Experience celebra trabalho de Fernanda Montenegro, fã de HQs

A Comic Con Experience homenageou, na última sexta-feira (8), a atriz Fernanda Montenegro. Ela participou de um painel para falar de sua carreira e da sua relação com as artes. “Sem respeito pela cultura, não se chega a ser uma nação”, disse, para aplausos da plateia, que praticamente lotou a sala de encontro.

Aos 88 anos, Fernanda Montenegro disse ver, na sua vocação de artista, um ofício irresistível. “Seria cretino dizer que eu não estou imensamente feliz com um momento como esse”, continuou ela, que revelou ainda ficar nervosa em atuar e em participar de eventos como a própria Comic Con. “Nunca se entra num palco como se fosse um banheiro”, brincou.

A CCXP tem em seu público uma grande maioria de fãs de quadrinhos e cultura pop em geral. À plateia, Fernanda Montenegro revelou não ser uma estranha a esse mundo – em sua formação, ela leu muitas HQs. “Na pré-história das histórias em quadrinhos”, divertiu o público. Entre os títulos que Fernanda Montenegro lia na infância, nos anos 1930, estão clássicos como Flash Gordon, Dick Tracy e Príncipe Namor.

Alice Braga nos holofotes

Mais tarde, no evento, outra brasileira esteve sob os holofotes, Alice Braga, uma das estrelas de Os Novos Mutantes, novo filme da franquia X-Men. Ao lado do diretor Josh Boone, do produtor Knate Lee,e de outro brasileiro, o ator Henry Zaga, que vive no filme o herói carioca Mancha Solar, ela apresentou ao público o primeiro trailer do longa, que promete uma mudança de tom nas produções sobre o grupo de mutantes.

“É um novo gênero do X-Men, porque tem um lado de terror”, explicou Alice, mais cedo, à reportagem. “Parece um filme independente, e não de super-herói, numa grande franquia.”

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Em Os Novos Mutantes, Alice vive a médica Cecilia Reyes, responsável por guiar e por cuidar de um grupo de jovens que, de repente, se descobrem mutantes. “Estou ali para ajudá-los a se descobrir”, diz a brasileira, que confirma que a personagem é uma espécie de “Professor Xavier” nesse novo filme.

O longa só chega aos cinemas em abril de 2018, e é por isso que a atriz faz mistério sobre a personagem, que não é brasileira – nem tem sua nacionalidade revelada no filme. Tanto Alice quanto o diretor se negam a confirmar se ela, nas telonas, também será mutante, como nas HQs.

“Alice é uma lenda. Temos uma grande admiração por sua carreira”, elogia Josh Boone. O diretor, que despontou com A Culpa É das Estrelas (2014), afirma que, de fato, a produção pode ser considerada do gênero terror. “Nos baseamos na obra de Chris Claremont, que é mais sombria que os outros quadrinhos de X-Men.”

O diretor, com o produtor Knate Lee, já pensa num próximo filme com os personagens. “Estamos considerando ambientar no Brasil”, diz também, revelando o desejo de mostrar mais sobre a origem do personagem Roberto da Costa, o Mancha Solar.

Mais ficção

Inspirado no mangá japonês de mesmo nome, o cineasta James Cameron planeja, há mais de 10 anos, o filme Alita: Battle Angel Ocupado com as continuações de Avatar, porém, ele passou o bastão para Robert Rodriguez, que está no Brasil para a Comic Con.

A história é sobre jovem ciborgue descoberta num ferro velho. “Ela não é, mas se torna uma heroína”, diz Rodriguez, que trabalhou em tributo a Cameron, a quem ele chama de Jim – e faz questão de mencionar a cada comentário. “Quando vi o filme pronto, percebi que é mais de Cameron do que de Rodriguez.”

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No rascunho original, Cameron quis dar à protagonista os olhos esbugalhados comuns aos mangás. “Ninguém nunca fez isso antes e isso é bem genial”, diz Rodriguez. A escolhida para o papel foi Rosa Salazar (Maze Runner: Prova de Fogo). “Na audição, ela fez Robert chorar”, revela o produtor Jon Landau. “Isso nunca acontece. Revi a fita e chorei novamente”, confessa Rodriguez. “Olhos são as janelas da alma, e estamos fazendo esses olhos gigantes de mangá. Rosa tem muito a nos mostrar nesse olhar.

Para o cineasta, o enredo de Alita é universal, e por isso foi bem adaptado ao Ocidente. Landau, que torce por uma trilogia, gosta do fato de a história ainda não ser conhecida. “É uma coisa boa. Podemos apresentar algo, para o mundo cinematográfico, que parece original.”


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