Idosos brasileiros aprendem a programar games para exercitar a mente

Aos 67 anos, Marina Yamanishi está às voltas com games – não os dos netos, mas os que ela criou. Marina faz parte de um grupo, ainda restrito, de idosos que está aprendendo programação para inventar games digitais. Escolas na área, voltadas para crianças e jovens, já expandem a faixa etária das turmas para ensinar a linguagem dos códigos aos maiores de 60.

“Jogava porque meus filhos sempre gostaram. Então, para fazer companhia, comecei. Sabia jogar, mas não imaginava como eram feitos”, conta ela, veterana de um curso de programação em Campinas, no interior de São Paulo. “Já montamos alguns jogos do tipo Mario Bros. Começamos com um mais fácil, como Atari, e depois fomos para outros”, diz.

A ideia das classes para idosos partiu de Fabio Ota, CEO da International School of Game (ISGame), escola especializada em cursos de programação. “Não tem apostila. Isso faz com que pensem mais, ativem a memória e a concentração.

“Segundo ele, é comum que os idosos estranhem no início. “No primeiro mês, eles têm muita dificuldade. Temos um trabalho grande para que não desistam do curso”. Antes das aulas, os idosos que ainda não têm familiaridade com a tecnologia passam por classes de inclusão digital, para aprender o básico, como mexer no mouse e acessar a internet.

Nos primeiros meses, desenvolvem games mais simples, em duas dimensões. “No segundo módulo, eles preparam jogos para crianças Depois, entramos em uma parte de criatividade, em que desenham personagens e pensam em um jogo um pouco mais bem elaborado.”

Ota foi além de oferecer as aulas e resolveu pesquisar os efeitos da criação de games para a saúde dos idosos. Durante cinco meses, avaliou pessoas com mais de 65 anos que participavam das aulas em um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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Segundo ele, a programação de games ajuda a prevenir o declínio cognitivo. A professora Sandra Elias, de 52 anos, aluna mais jovem da turma da ISGame, comprova. “Meus sentidos estão muito mais aguçados. Minha terapia é fazer jogos”, disse.

Sem mistério

O procurador de Justiça Reginaldo Costa, de 71 anos, percebeu que aprender programação ajudou até a melhorar o desempenho no trabalho. “O computador é, para mim, um mistério para lá de misterioso. Sou do tempo do telex e sofro bastante com questões banais por pura ignorância”, diz ele, que participou de um curso experimental de programação de games para idosos na unidade em Perdizes, zona oeste de São Paulo, da Happy Code, escola especializada na área.

“Nunca tinha imaginado aquilo. Você cria um joguinho, vê a coisa se montando. Tendo quem te oriente, parece tão fácil”, diz. Depois do curso-piloto, a Happy Code acaba de lançar aulas de programação de games para idosos.

O curso contempla até quem não tem nenhuma intimidade com a tecnologia. “Temos avós que levam os netos às unidades. Um avô vai ser capaz de jogar o mesmo videogame do neto”, afirma Walter Fernandes, diretor da escola.

A SuperGeeks, voltada para crianças e adolescentes, também planeja lançar cursos de programação para adultos e idosos ainda este ano em todas as unidades. O semestre de aulas custará R$ 1,5 mil. “Eles gostam, principalmente de jogos mais retrô. Mas também entraremos na parte de aplicativos e robótica, para mexerem com coisas manuais”, explica o fundador da SuperGeeks, Marco Giroto.


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