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Pontos positivos e negativos do filme de Death Note

A adaptação ocidental de Death Note está disponível na Netflix desde o final da última semana, e a recepção do público foi apenas mediana. Quem gostou sabe que o filme tem seus problemas, mas é um bom divertimento e quis apresentar algo novo. Já aqueles que não gostaram  acreditam que ele não foi fiel ao material original, seus personagens são fracos e a história foi apressada.

Já ciente que o filme tem seus lados bons e ruins, o site Screenrant listou 7 pontos positivos e 8 negativos de Death Note. Confira abaixo:

15) Ponto Negativo: pouca presença de Ryuk

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Independente do momento em que apareceu, Willem Dafoe trouxe personalidade para o personagem. Até porque, o ator sabe trazer carisma e ameaça em seus papéis como vilão. Infelizmente, ele não apareceu o suficiente em Death Note para causar algum impacto, tampouco teve muito material para trabalhar.

Quando Ryuk fez sua primeira aparição no filme, sua presença assustou tanto Light que o protagonista quase destrói uma sala de aula. Apesar de não ser uma ameaça para Light, Ryuk se mostra uma figura assustadora e sombriamente cômica. É uma introdução forte. Após isso, ele é relegado ao papel de coadjuvante, sem a chance de contribuir com algo substancial.

No mangá e anime, Ryuk é um personagem importante, entendiado, mas que não é entediante. No filme, o Shinigami/Deus da Morte só é lembrado por conta da força do ator que o interpreta. Uma sequência deve ser lançada, então será a chance de dar um pouco mais de destaque para Ryuk.

14) Ponto Positivo: introduzir novatos para a obra original

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Uma coisa boa sobre remakes é que são uma espécie de “portão de entrada” para seus predecessores, e podem até mesmo introduzir novas formas de entretenimento que o público, até então, desconhecia.  Toda a expectativa em torno de Death Note pode, ao menos, fazer um público novo ir conhecer o mangá/anime. Além disso, a franquia volta a ser assunto comentado dentro da cultura pop.

Provavelmente, quem mal ou sequer conhecia a franquia é que deve aproveitar mais o filme. Sem nenhum material anterior para limitar a experiência, os novos fãs podem apreciá-lo como algo único. Tanto que podem, posteriormente, conhecer a obra original de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata e a adaptação em anime.

13) Ponto Negativo: a ausência da dinâmica entre L e Light

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A relação entre L e Light é de extrema importância para o mangá/anime. Já no filme da Netflix, a metódica batalha entre os dois é substituída por um genérico jogo de gato e rato que pareceu ser apressada e um pouco crua. Ou seja, o longa desperdiçou um ótimo ponto.

Fazendo uma analogia, enquanto que o mangá/anime e até mesmo os filmes em live action lançados no Japão retrataram L e Light em um meticuloso e calculado jogo de xadrez, o longa da Netflix optou por uma aproximação onde um queria logo dar o xeque mate no outro. A maneira que L descobriu que Light foi o responsável por vários assassinatos foi muito fácil, e o resto aconteceu de forma previsível.

Mas isso não significa que o filme não tem seus momentos marcantes. Ele apenas desperdiçou a chance utilizar as qualidades convincentes e complexas do material de origem.

12) Ponto Positivo: a seleção musical

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A recepção de Death Note foi apenas mediana, só que um ponto positivo que pode ser destacado, que trouxe alguns momentos marcantes para te fazer esquecer, mesmo que por um momento, os lados ruins do filme.

Música de boa qualidade é uma marca registrada do diretor Adam Wingard. Músicas como “Don’t Change”, do INXS, e “Take My Breathe Away”, do Berlin, trazem um toque especial para os momentos em que são executadas.

11) Ponto Negativo: um Light sem sal, em comparação com o original

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No mangá/anime, Light é um sociopata. Ele já possui uma vida muito boa, mas ele quer mais: seu desejo é brincar de Deus. Já no filme, esse elemento importante é substituído pela decisão de transformá-lo em um personagem emotivo e simpático.

Não há nada de errado com essa aproximação. Você pode até entender que o filme quis fazer algo de diferente com o personagem, mas em comparação com o original, ele não é tão interessante e intrigante. De fato, ele parece um pouco emo e sem sal, e o mal que toma conta dele parece ter medo de se revelar.

É difícil ver filmes famosos ocidentais que são centrados em personagens corruptos que não sejam os próprios vilões. Seria legal se tal abordagem pudesse ser retratada de vez em quando.

E ainda assim, no mangá/anime, a força de Light é tão impressionante que ele ganhou diversos fãs, apesar de suas tendências sociopatas. No original, gostamos dele por ser frio, calculista e interessante. Já no filme, a ideia é que apenas queremos lhe dar um apoio.

10) Ponto Positivo: momentos sangrentos

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Apesar das críticas a respeito da fraca caracterização dos personagens e sua história apressada, uma coisa que podemos destacar em Death Note são os seus momentos sangrentos. A decapitação, logo no início do filme, foi um momento de destaque, em particular, bem como o massacre na boate.

Segundo Adam Wingard, ele permitiu que seu diretor de segunda unidade, Jason Eisener, causasse uma grande carnificina para o filme.  Se você assistiu o filme O Mendigo com uma Escopeta, dirigido por Eisener, sabe muito bem do que estamos falando. O nível de Death Note é diferente, mas funcionou muito bem.

Sim, algumas mortes lembram alguns momentos dos filmes da franquia Premonição. Mas para criar sua própria identidade, o banho de sangue foi apropriado para quem gosta de filmes desse naipe.

9) Ponto Negativo: faltou tensão

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Adam Wingard ficou famoso por criar tensão em seu filmes. Isso é evidente em seus títulos anteriores, como O Hóspede e Você é o Próximo. Até mesmo o fraco remake de A Bruxa de Blair também teve seus momentos de tensão.  Ou seja, é uma grande surpresa ver que Death Note não teve grandes momentos de intensidade.

Além disso, o mangá/anime também ficou famoso por suas cenas e momentos de tensão, que prendiam a atenção do público. Mas na verdade, não foi falta de tentar. Apareceram algumas pistas de que isso poderia acontecer, mas a história apressada atrapalhou tudo.

Outra questão é que a adaptação em filme pode ter optado por uma aproximação mais adolescente, com alguns momentos sangrentos e violentos. Novamente, isso não é necessariamente algo ruim, a não ser que você queira ver coisas mais fiéis ao original. De qualquer forma, uma dose extra de tensão poderia ter melhorado as coisas.

8) Ponto Positivo: Lakeith Stanfield como L

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Se há um ator que merece destaque é Lakeith Stanfield, que interpretou o detetive L. Seu desempenho retratou, de forma fiel, as excentricidades e o intelecto genial do personagem original, enquanto que Stanfield também adicionou pequenos detalhes para sua visão do personagem.

Infelizmente, a força do personagem e o desempenho de Stanfield acabam ficando em segundo plano por conta da natureza apressada do filme. Apesar de ser possível ver que o L do filme é brilhante igual ao do mangá/anime, não conseguimos vê-lo utilizar suas habilidades por completo. Mas se Stanfield tivesse sido escolhido para uma série extremamente fiel ao material original, ele daria conta do recado, até com certa tranquilidade.

7) Ponto Negativo: muitos clichês

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O filme também pecou ao utilizar certos clichês hollywoodianos. Por exemplo, o romance de Light com Mia foi importante para a história do filme, mas foi apresentado de uma forma que já vimos diversas vezes em outros longas.

O clichê não é algo exatamente ruim, pois ele pode ser necessário em alguns momentos. Só a aproximação previsível de Death Note é muito convencional e feita para agradar um público mais geral. E para um diretor que ficou famoso por reviravoltas no enredo de seus filmes, foi decepcionante ver poucos momentos surpreendentes no longa.

O mangá/anime tratou de temas interessantes e até mesmo abstratos, como ética e o poder da vida e da morte. Já o filme chegou a retratar uma dança sem sal em um baile de formatura. Wingard e companhia perderam a oportunidade de explorar esses pontos que poderiam mexer com a cabeça do público.

6) Ponto Positivo: bons efeitos especiais

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Não é preciso muito para fazer Willem Dafoe parecer assustador. Por exemplo, basta apenas lhe aplicar um pouco de maquiagem que ele já parecerá ser um Deus da Morte japonês. Mas ele não tem a mesma altura de Ryuk. Alternativas poderiam ser utilizadas, mas os efeitos especiais ainda foram a melhor opção.

Do ponto de vista técnico, Death Note fez um ótimo trabalho nos efeitos especiais utilizados para criar Ryuk. O CG foi utilizado para recriar seu corpo, enquanto que Willem Dafoe ficou responsável por fazer suas expressões faciais, com a ajuda de técnicas de captura.

O filme utilizou um ótimo balanço entre imagens geradas pelo computador e efeitos práticos para criar uma criatura impressionante, que não apareceu nem exagerada ou cartunesca.

5) Ponto Negativo: deveria ser uma série

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Existiam várias ideias que poderiam ser aproveitadas na adaptação de Death Note, mas muitas tiveram de ser cortadas por contas de certas limitações de um filme. Como resultado, parece inchado, com pouco espaço para respirar. Se fosse uma série, poderia ter se tornado algo mais rico e expansivo.

Para início de conversa, em uma série, a revelação de Light poderia começar com um lento jogo de gato e rato, onde ele poderia apenas provocar L. O arco central da história poderia levar alguns episódios para se desenvolver, o que resultaria em tensão. O relacionamento de Light e Mia também teria mais tempo para crescer aos poucos.

Wingard até fez um bom trabalho em retratar o básico da franquia, mas se fosse uma série, sua visão poderia ter tido mais sucesso. Ainda mais considerando a boa qualidade de vários seriados da Netflix.

4) Ponto Positivo: o relacionamento de Light e Mia

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No anime de Death Note, Misa é obcecada por Light e o venera. Já no filme, o relacionamento entre os dois lembra muito o namoro de dois adolescentes, um casal serial killer que possui um amor distorcido e que tem o objetivo de terminar com vidas humanas quando acharem necessário. Apesar de nenhum dos dois ser individualmente mais forte do que suas contrapartes originais, o filme dá mais atenção e um propósito para Mia.

Sim, a caracterização foi fraca, conforme dito anteriormente, mas a forma que o relacionamento dos dois se desenrolou causou reviravoltas interessantes e novos percursos pelo caminho.

3) Ponto Negativo: Mia não é igual Misa

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Sim, acabamos de dizer que o relacionamento de Light e Mia foi interessante e um dos pontos positivos de Death Note. Só que Mia não possui a mesma força de Misa.

A Misa original possui uma obssessão perturbadora por Light, mas ainda tinha poder e influência suficientes para ter uma complexidade intrigante. Já no filme, ela parece apenas uma sociopata cujo objetivo é ser braço direito de Light. Ela não possui muita dimensão e parece mais uma fantoche nas mãos do protagonista.

Isso não significa que o desempenho da atriz Margaret Qualley foi ruim. A caracterização da personagem não é novidade para os filmes de terror convencionais, mas se compararmos com o material original, Mia não se compara muito com Misa.

2) Ponto Positivo: a visão de Adam Wingard

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Independente de sua opinião do remake, Adam Wingard, pelo menos, tentou mostrar sua visão, e ele foi bem sucedido. Já lemos o mangá e assistimos o anime. Os dois são fantásticos. Os filmes live action japoneses também não são ruins. Eles podem ser vistos e avaliados a qualquer momento. Por que repetir a fórmula?

Não vamos dizer que quem odiou a adaptação de Wingard não a assistiu com uma mente aberta. Ter liberdade com um produto já estabelecido não significa que mudanças serão sempre bem vindas. Além disso, é difícil não querer comparar o trabalho com suas contrapartes japonesas, por conta da associação com uma franquia tão bem estabelecida. Se as mudanças aconteceram a favor ou não da obra, é algo inteiramente subjetivo.

Você pode até dizer que a versão ocidental do filme de Death Note é para adolescentes americanos, mas, pelo menos, não é uma cópia exata de algo que já vimos. Um remake sempre precisa oferecer algo novo para o público: algumas vezes funciona, enquanto que em outras, não. Mas é sempre válido tentar, e Wingard estava interessado em não contar a mesma história novamente.

1) Ponto Negativo: lavagem branca

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A chamada lavagem branca não é apenas um problema de Death Note – é uma questão que Hollywood, no geral, precisa resolver. Especialmente se tratando de adaptações de animes, como vimos com Ghost in the Shell, no início deste ano. Por um lado, não existe nada de errado em “americanizar” produtos de outros países, pois ajustes são necessários de região para região. Só que isso também não significa que as raízes culturais não devem ser reconhecidas.

Escolher Lakeith Stanfield para interpretar L adicionou alguma diversidade étnica, mas ter escolhido um ator de origem asiática para o papel de Light poderia ser um passo importante para Hollywood esquecer sua tendência de ignorar a cultura asiática.

No geral, Death Note é apenas mais um filme que caiu nesse problema, que precisa ser solucionado por Hollywood.

Fonte: ScreenRant

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