Por que os games evoluem ou morrem?

Os jogos evoluíram rapidamente e em relativamente pouco tempo. A tecnologia tem avançado tanto nas últimas três décadas que os primeiros jogos não se parecem em nada com as produções de grande orçamento de hoje. Mas avanços mais sutis aconteceram ao lado do óbvio salto na qualidade gráfica ao longo dos anos. As inovações de ontem se tornaram as expectativas básicas de hoje.

O título de aventura japonês Shenmue lançado pro Dreamcast em 2000 aqui no Ocidente foi o auge do design de open world – mundo aberto – naquela época. A busca do protagonista Ryo Hazuki pra encontrar o assassino de seu pai foi cinematográfica num grau nunca antes visto e teve como palco um Japão realista e surpreendentemente detalhado. Suas ruas labirínticas continham incontáveis segredos, desde conversas opcionais com NPCs, até máquinas de venda que continham uma ampla seleção de bebidas autênticas – no Japão, pelo menos – e até easter eggs em formato de brinquedo de personagens famosos. Shenmue também foi responsável por ser um dos pioneiros nos “quick time events”, que mais tarde se tornariam mais do que recorrentes nos games.

Shenmue foi tão emocionante precisamente porque trouxe novas ideias pra mesa. Foi a primeira vez que muitos de nós exploramos um ambiente de tão larga escala em um jogo, e seu realismo nos aproximou de um lugar que é próximo e querido pros corações dos fãs de jogos japoneses. Sua sequência acertou novamente em todas essas questões e, ao mesmo tempo, fez melhorias iterativas.

Já faz dezesseis anos que o primeiro Shenmue foi lançado. Dezesseis! Gerações de jogos vieram e desapareceram nesse período, e nossas ideias sobre o que faz um jogo bom mudaram ao longo dos anos. Shenmue ajudou a definir o gênero de mundo aberto, mas nós precisamos de mais. Com Shenmue III previsto pra 2017, finalmente iremos virar a página em uma das histórias mais prolongadas dos games e eu preciso confessar que me preocupo um pouco sobre seu lugar no mercado de hoje.

shenmue

Shenmue III não pode esperar alcançar o sucesso mainstream se não trouxer algo novo pra mesa – caminhar por um ambiente aberto não é mais novidade. Temos dezenas de jogos que oferecem mundos enormes e fascinantes pra explorarmos em cima de jogabilidade intrincada. O polimento também é importante. Mundos maiores geralmente vêm acompanhados de glitches maiores, por isso Shenmue III precisa manter a sua natureza orientada aos detalhes, enquanto ainda inova em alguma frente. Talvez ele poderia caracterizar múltiplos protagonistas com diferentes perspectivas, ou introduzir um aspecto de realidade aumentada, enviando “páginas” pros jogadores em seus smartphones – ainda naquela configuração clássica dos anos 80. Ao mesmo tempo, tentativas fracassadas de inovar podem derrubar uma experiência, por isso é importante que o diretor Yu Suzuki e sua equipe tenham grande cuidado em manter um alto padrão de qualidade com tudo o que implementarem em Shenmue III.

Outras séries de jogos mostraram que a recusa em evoluir resulta em estagnação. Resident Evil 4 foi tão bem-sucedido precisamente porque renovou a fórmula da série e a equilibrou cuidadosamente com horror genuíno. Em seguida, Resident Evil 5 e 6 tentaram alavancar a mesma fórmula com cada vez menos sucesso, levando a Capcom a agitar totalmente a sua abordagem pra Resident Evil 7. Isso resultou em mais entusiasmo pra série do que temos visto em anos. Pense em Call of Duty: cada vez mais previsível, resultando num esmagador declínio nas vendas nos últimos quatro anos. Tudo por causa da relutância em jogar tudo pela janela e começar de novo.

O X da questão é: os jogos de grande orçamento precisam evoluir pra permanecer relevantes. Fazer algo novo é uma proposta arriscada do ponto de vista financeiro e eu entendo porque os desenvolvedores ficam relutantes em investir em novas ideias quando suas antigas ainda estão vendendo bem. Mas seria bom se eles pudessem canalizar parte do dinheiro que ganham em seus grandes sucessos em empreendimentos mais criativos, permitindo que ambos existam lado a lado. Shenmue III ocupa um espaço liminal em algum lugar entre grande orçamento e indie – arrecadou mais de US$ 6 milhões através de crowdfunding e com o financiamento tradicional, mas está sendo desenvolvido por um estúdio menor.

Só posso esperar que Yu Suzuki aprenda com as falhas de seus colegas e mantenha um espírito inovador pra complementar sua lendária saga.

Fonte: http://dispatches.cheatcc.com/2708

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