The Marvelous Mrs. Maisel amplia seu mundo na 2ª temporada

Com seus diálogos afiados, ditos em velocidade 2x, bem à moda de Amy Sherman-Palladino (de Gilmore Girls), atuações impressionantes e figurinos fabulosos, The Marvelous Mrs. Maisel virou um dos grandes trunfos do serviço de streaming da Amazon, o Prime Video.

The Marvelous Mrs. Maisel ganhou dois Globos de Ouro (melhor comédia e atriz para Rachel Brosnahan) em janeiro, e, em setembro, levou oito Emmys. Para Brosnahan, que faz Midge Maisel, a dona de casa perfeita do final dos anos 1950 que entra para a comédia stand-up depois de ser traída pelo marido Joel (Michael Zegen) e se separar dele, a explicação para o sucesso reside em sua mistura saudável de fantasia e realidade.

“E também tem algo inspirador, por ser sobre essa mulher se reinventando, dizendo que nunca é tarde”, disse Rachel Brosnahan em entrevista em Londres.

Não por acaso, o elenco brinca que a maior glória não foram os vários troféus, mas um elogio de Steven Spielberg, que disse que The Marvelous Mrs. Maisel era o melhor musical judaico desde Um Violinista no Telhado – tanto os pais de Midge, Rose e Abe Weissman (Tony Shalhoub) quanto a família de Joel, Moishe (Kevin Pollack) e Shirley Maisel (Caroline Aaron) são judeus.

Esse quê de fantasia, de musical de MGM, ganha ainda mais amplitude na segunda temporada, que estreou nesta quarta-feira (5). The Marvelous Mrs. Maisel deixa um pouco Nova York para viajar a Paris e a Catskills, região montanhosa no Estado de Nova York, onde os Weissman costumam passar férias num resort cheio de atividades. “Por meio dessa expansão do mundo, conhece-se mais sobre os outros personagens também”, disse Brosnahan.

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Um dos mistérios a serem desvendados é Joel, que começou a série odiado, como é de se esperar de um marido que larga o casamento com uma mulher como Midge e dois filhos para ter uma aventura com uma secretária. “Eu o interpretei como o vilão no começo”, disse o ator Michael Zegen. “Mas logo ficou claro que não era o caso, e Amy Sherman-Palladino sempre me disse que ele era só um ser humano com muitos defeitos.”

O fim da primeira temporada teve um “revival” do casal, mas ele ainda está com o orgulho ferido depois de vê-la arrasando num show de stand-up – estar no palco sempre foi o sonho de Joel.

Enquanto isso, Midge continua sua jornada pelo mundo do stand-up nos anos 1950. Sherman-Palladino, que cresceu rodeada de comediantes, disse não ter se inspirado em nenhum nome em particular, apesar de conhecer bem a vida e a carreira de mulheres pioneiras como Joan Rivers e Sally Marr, mãe de Lenny Bruce, um dos poucos nomes reais que viraram personagem na série (interpretado por Luke Kirby).

Para Tony Shalhoub, “há um pouco mais da realidade do que é ser uma comediante do sexo feminino naquela época – e em qualquer época, para ser franco”.

Não demora para Midge ser alvo de fofocas maldosas ou ser tratada como maluca quando tenta fazer exatamente o que os homens fazem. Mas também é hora de examinar seu privilégio: Midge pode se dedicar à stand-up porque tem pais com boas condições financeiras que podem cuidar de seus filhos, por exemplo.

“Nesta temporada, vemos os dois mundos de Midge colidindo. Com certeza, ela é muito privilegiada, e o que vem a partir disso é uma posição de extrema ingenuidade em relação ao mundo à sua volta”, disse Brosnahan. Um dos choques se dá com sua empresária Susie (Alex Borstein, vencedora do Emmy de coadjuvante), que precisa desesperadamente que Midge comece a ganhar algum dinheiro com sua comédia.

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Apesar de tudo isso, Sherman-Palladino não acha que The Marvelous Mrs. Maisel seja sobre stand-up, mas, sim, sobre essa mulher que sai de uma vida para outra, e muito menos algo político.

“Não acho que necessariamente sejamos uma série que tente imitar, capitalizar ou refletir. Só queremos nos manter fiéis à história e aos personagens por quem nos apaixonamos”, disse durante evento da Television Critics Association em Los Angeles. The Marvelous Mrs. Maisel traz a realidade, mas de braços dados com a maravilha.


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